Vânia Moreira - De Umuarama e
Patrícia Zanin - De Londrina
O Exército decidiu atuar contra o crime organizado na fronteira entre Brasil e Paraguai, em nove municípios da faixa fronteiriça, onde mil homens montaram barreiras nas principais rodovias e estradas do Mato Grosso do Sul. A megaoperação, chamada de ‘‘Fronteira Verde’’, inclui carros blindados de combate e revista em todos os veículos, o que provocou um congestionamento ontem de até três quilômetros na BR-163, cinco quilômetros acima da ponte de Guaíra, no Paraná. A região é apontada como uma das principais portas de entrada de maconha e cocaína no Brasil – só ontem, o Exército apreendeu 1,5 Kg, de cocaína, 40 Kg de maconha, 600 pacotes de cigarros, além de três cargas de madeira contrabandeadas. A fronteira também é um dos corredores de passagem de carros roubados levados para o Paraguai.
No Paraná, o Exército mobilizou 400 homens para exercícios militares em Cascavel, Umuarama, Foz do Iguaçu e Pato Branco. De acordo com o oficial de Comunicação Social da 15ª Brigada de Infantaria Motorizada do Exército em Cascavel, major Antônio Carlos de Souza, não se trata de operação militar e sim de um ‘‘exercício de adestramento da tropa’’. ‘‘Não tem nenhuma relação com o trabalho realizado no Mato Grosso’’, afirmou.
Em nota à imprensa, o Comando Militar do Oeste, com sede em Campo Grande, informou que a operação nos municípios da fronteira é feita ‘‘rotineiramente em todas as regiões’’. ‘‘Mas nunca houve essa rotina por aqui’’, disse ontem à Folha o presidente da Câmara de Vereadores de Mundo Novo (MS), José Antônio Pires Souza (PMDB), o ‘‘Zé Bocão’’.
Segundo o Comando Militar Oeste, o objetivo da operação é treinar os soldados para atuarem em situações reais, mas a presença do Exército coíbe o tráfico de drogas, contrabando, roubo de carros e outros crimes.
O clima de tensão na região aumentou depois da morte da prefeita de Mundo Novo, Dorcelina Follador (PT), assassinada com seis tiros de pistola na noite de 30 de outubro. A Polícia tenta descobrir os autores e o motivo do crime. Dorcelina vinha denunciando o tráfico de drogas e o contrabando de armas na fronteira. Um das testemunhas do caso teve sua casa incendiada na madrugada de terça-feira em Eldorado, a cerca de 20 quilômetros de Mundo Novo. (Colaborou Agência O Globo)

mockup