Brasília - Em um movimento discreto, o Comando do Exército blindou os 15 generais do Alto Comando da Força ao evitar que eles participassem da reunião ocorrida na terça-feira (6) com o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL-RJ).

Como o deputado federal terá o papel de escolher, logo no início do governo, o novo comandante a partir de uma lista de nomes a ser encaminhada pelo Ministério da Defesa, o Exército optou por não deixar que, num encontro institucional na sede da Força, assuntos de interesse do órgão fossem tratados previamente pelos "candidatos naturais" ao cargo, nem que eles ficassem expostos a questionamentos mais diretos do presidente eleito.

A decisão de não facilitar uma reunião oficial do Alto Comando com Bolsonaro é interpretada também como mais um sinal da preocupação que o Exército tem sobre uma politização de oficiais da ativa durante o futuro governo, um cenário hipotético considerado nefasto e que deve ser evitado em cada detalhe.
Para o Exército, a escolha do novo comandante deve obedecer critérios objetivos e ter o respaldo da instituição, amenizando a influência pessoal do presidente nos destinos da Força.

Ainda que exista um amplo apoio entre os militares para o sucesso do governo de Bolsonaro, o Comando quer restringir ao máximo eventuais interferências políticas na tropa, potenciais ameaças à disciplina e à hierarquia, pilares das organizações militares. Nesse contexto, evitar que Bolsonaro dialogasse diretamente com um futuro comandante da tropa foi uma medida profilática apoiada pelos próprios generais.

O Alto Comando é formado pelos generais da patente mais alta na hierarquia no Exército, os generais-de-Exército, conhecidos como "quatro estrelas". Sairá desse grupo a lista de potenciais ocupantes do comando da Força, hoje ocupado pelo general Eduardo Villas Bôas.

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