Executivos arrolam ministro como testemunha
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de abril de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba Os advogados de três executivos da empreiteira OAS que são réus da Operação Lava Jato e que estão presos no Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), arrolaram o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, como testemunha de defesa em uma das ações penais que tramitam na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba. O pedido foi protocolado pelos defensores de José Aldemário Pinheiro Filho, Agenor Franklin Magalhães Medeiros e Mateus Coutinho de Sá Oliveira.
"Respeitado o número legal e que não vão separadas por réu dado interessarem a todos; todas são imprescindíveis e devem ser intimadas ou requisitadas", reforçaram os advogados, na defesa prévia apresentada ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz o caso. Além de Cardozo, também foi arrolada como testemunha de defesa dos empresários da OAS, a ex-presidente da Petrobras Maria das Graças Foster.
A defesa da OAS informou que arrolou o ministro para que ele esclareça como os agentes e delegados da Polícia Federal obtiveram da empresa canadense Research In Motion (RIM) acesso à troca de mensagens pelo Blackberry Messages (BBM) entre o doleiro Alberto Youssef e um dos executivos da empreiteira. Eles questionam na defesa prévia a validade da interceptação telefônica como prova dentro da Lava Jato.
Os três executivos e outros 24 réus deste processo vão responder por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A ação penal envolve desvios de recursos da Petrobras em quatro obras: Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Refinaria de Paulínia (Replan), Gasoduto Pilar/Ipojuca e Gasoduto Urucu Coari. O MPF estimou em R$ 136 milhões o total de desvios envolvendo estes projetos. As empresas responsáveis por estas obras são OAS, Mendes Júnior e Setal. Neste processo também são réus o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato de Souza Duque, e o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto.
Apesar da apresentação das testemunhas, o juiz Sérgio Moro deve solicitar aos advogados da OAS, nos próximos dias, mais explicações sobre a convocação do ministro antes de decidir se autoriza ou não que Cardozo seja arrolado. O mesmo procedimento foi realizado em janeiro, quando o executivo Ricardo Pessoa, da UTC, apresentou como suas testemunhas o ministro da Defesa Jaques Wagner (PT); o então candidato à Presidência da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP); o ex-ministro das Comunicações, Paulo Bernardo; além de outros agentes políticos.
A Polícia Federal (PF) solicitou ao juiz Sérgio Moro, a permanência do vice-presidente da Engevix, Gerson de Mello Almada, na carceragem da Superintendência do órgão, porque o empresário está prestando depoimentos que auxiliam nas investigações da Lava Jato. Almada é o único dos 12 réus presos que tiveram a transferência autorizada pela Justiça para o sistema penitenciário que ainda permanece nas dependências da PF.
Em trecho de seu despacho, Moro aponta que "representa a autoridade policial pela manutenção do custodiado Gerson de Mello Almada na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, sob o argumento de que estão sendo colhidos diversos depoimentos dele referentes à investigação da assim denominada Operação Lava Jato. Autorizo a manutenção do custodiado nas dependências da Polícia Federal, nesta capital, até ulterior deliberação deste Juízo".
Almada não fechou acordo de delação premiada, entretanto vem colaborando com as investigações. Ele, inclusive, confirmou em audiência no mês de março na Justiça Federal, que ocorriam pagamentos a intermediários para manter o "bom relacionamento" dentro da Petrobras. Um destes intermediários seria o doleiro Alberto Youssef. Na mesma data, o empresário também afirmou que as empreiteiras entravam em um "acordo" para escolher obras da estatal.


