Com sérias restrições orçamentárias, a administração do prefeito de Londrina Alexandre Kireeff (PSD) tenta fazer a divisão dos recursos previstos para 2014, mas ninguém saiu satisfeito com sua fatia do bolo da audiência pública para apresentação das propostas de Lei Orçamentária Anual (LOA) e de Plano Plurianual (PPA), na noite da última quarta-feira, na Câmara de Vereadores. Os dois textos precisam passar por audiência pública de apresentação à população, que pode agora sugerir emendas.
A apresentação da LOA e do PPA coube ao secretário de Planejamento, Daniel Pelisson. Ele afirmou que, "dentro do possível", a equipe procurou dar o perfil do prefeito, embora haja "uma série de limitações". O Plano Plurianual foi elaborado com base nos pedidos feitos em 13 audiências públicas promovidas pela prefeitura durante o ano.
O orçamento de 2014 é previsto em R$ 1,347 bilhão (11,5% a mais que o deste ano), divididos entre 37 programas de governo. "O cobertor continua do mesmo tamanho, mas o que ele cobre cresce a cada ano", disse o secretário.
Ao "dar o perfil" da administração, tanto o orçamento 2014 quanto os investimentos para os próximos quatro anos privilegiam os setores de educação e saúde. A previsão de investimentos no programa "Educação de Excelência: Direito de Todos" é de mais de R$ 387 milhões só no próximo ano e chega a R$ 1,599 até 2017.
Para o programa "Acolher para Cuidar", primordialmente da saúde, são R$ 432,7 milhões em 2014 e até R$ 1,8 nos próximos quatro anos.
Após a apresentação, a presidente do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), Márcia Gonçalves Valim Paiva, afirmou que os orçamentos para o setor constantes na PPA não foram os aprovados pelo órgão.
Ela apresentou planilhas mostrando que o valor reservado para a assistência social fica R$ 41,9 milhões a menos do que o necessário – chamados de extra-limite. Para 2014, por exemplo, o valor aprovado pelo CMAS foi de R$ 40,5 milhões, mas o orçamento da prefeitura trouxe R$ 34,4 milhões.
Entre os prejuízos elencados com os valores a menos estão a provisão das unidades físicas dos CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e CREAS (Conselho de Referência Especializado de Assistência Social); implantação de serviços do Plano Viver Sem limites, como a Casa de Passagem, Centro POP (para a população de rua) e abordagem social; e o financiamento de serviços exercidos por entidades não governamentais.
O presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), Paulo Lima, alertou para a necessidade de investimentos nos paraatletas, principalmente pensando nas próximas Olimpíadas, em 2016. A presidente do Conselho Municipal de Políticas de Álcool e Drogas, Marilena Jordão, também questionou como manter os trabalhos com o orçamento tão apertado.
Moradores presentes na audiência também questionaram problemas que vivenciam, como a falta de médicos plantonistas em postos de saúde, o esquecimento de áreas rurais e o pouco investimento na área da cultura.
Diante das manifestações, a vereadora Lenir de Assis (PT) afirmou que a falta de dinheiro é recorrente em todos os anos, mas que as demandas mudaram. "No ano passado, os apelos eram por creches, idosos e saúde. Hoje vejo que chama a atenção o esquecimento dos distritos. A questão da saúde é muito ampla, mas é extremamente importante debruçar sobre a saúde mental", disse.
A líder do governo na Câmara, Elza Correia (PMDB), afirmou que, durante apresentações de orçamentos, há sempre uma angústia devido à restrição dos recursos diante das demandas. Porém, atribuiu parte das dificuldades aos problemas de gestão em administrações passadas. "Não podemos esquecer que a falta de recursos tem pai, mãe e endereço", disparou.

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