Executivo pratica cessão informal de comissionados
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domingo, 25 de março de 2012
Loriane Comeli <br> <br> Reportagem Local 
Tal como o Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) também tem em seu quadro pessoas cedidas para a administração direta. Segundo o presidente da CMTU, André Nadai, são ''10 ou 11 funcionários'' nesta condição, entre comissionados e efetivos. Ao todo, a companhia tem 37 funcionários indicados para funções de confiança, incluindo pessoas que passaram por concurso público. Na Codel, dos nove cargos comissionados, quatro estão cedidos, conforme mostrou a FOLHA na última sexta-feira. As duas nomeações mais recentes são das mulheres do secretário de Defesa Social, Jefferson Dias Chaves, e do presidente da CMTU. Doraci Chaves ganhou um cargo comissionado na Codel, mas na prática trabalha no gabinete do prefeito Barbosa Neto (PDT). Já Cristiane Hasegawa foi nomeada para um cargo também na Codel, embora na prática esteja trabalhando na Secretaria de Gestão Pública.
Tanto na CMTU como na Codel o que chama a atenção é a informalidade das cessões. Os funcionários são nomeados para esses órgãos, mas, sem qualquer portaria ou documento oficial acabam cedidos para um órgão da administração direta. A reportagem solicitou à CMTU que informasse o local onde os funcionários cedidos estão trabalhando, mas o pedido foi negado. Não houve explicação para a negativa.
Entre os ''10 ou 11 funcionários cedidos'' pela CMTU, pelo menos três estão ligados ao gabinete do prefeito para as funções de motorista, assessor de assuntos parlamentares e assessor executivo. Os dois primeiros recebem R$ 4,8 mil de salário; e o assessor executivo R$ 3,7 mil.
O presidente da CMTU minimizou o problema afirmando que essas pessoas fazem interlocução com a companhia. ''São funcionários cedidos para outros órgãos, mas que estão em contato com a CMTU para viabilizar projetos que têm relação com o órgão que estão e a companhia'', justificou, sem explicar qual a cooperação do motorista do prefeito para a CMTU. ''Há uma funcionária cedida para a educação, por exemplo, que faz a ponte sobre assuntos relativos à educação de trânsito nas escolas.''
A funcionária em questão é Eloisa Maran Pereira Novais, tida como assessora direta de Karin Sabec (secretária de Educação), e nomeada pela CMTU como assessora de nível 1. Em depoimento prestado ao Ministério Público no dia 15 de fevereiro sobre suposta irregularidade na compra de uniformes, a secretária estava acompanhada de Eloisa, que se colocou como advogada. ''Não tenho a informação de que isso aconteceu, mas repito que ela é um elo entre a Secretaria de Educação e a CMTU'', disse Nadai.
Supondo que 10 pessoas sejam nomeadas como assessores de nível 1 da CMTU, o gasto com os funcionários que não trabalham na companhia seria de aproximadamente R$ 580 mil em um ano, valor praticamente suficiente para cobrir o deficit apresentado pelo órgão em 2011, conforme balanço divulgado neste mês. ''É claro que as nomeações têm um impacto na contabilidade, mas o deficit da CMTU não se deve à folha de pagamento, mas sim a dívidas trabalhistas e tributárias'', afirmou André Nadai.


