Executivo entrega comprovantes de propina na Petrobras
Curitiba Os advogados de Erton Medeiros Fonseca, diretor da Galvão Engenharia, e que segue preso na carceragem da Polícia Federal (PF), disponibilizaram à Justiça Federal e à Polícia Federal (PF), comprovantes de pagamentos de suposta propina a operadores do esquema de corrupção da Petrobras que totalizam R$ 8,8 milhões. Conforme a defesa do executivo, o pagamento teria sido feito direcionado à diretoria de Serviços da estatal, para evitar que ``a empreiteira fosse prejudicada em contratos que mantinha com a Petrobras´´.
Segundo a petição protocolada ontem, a propina teria sido paga a uma empresa de consultoria do engenheiro Shinko Nakandakari. Conforme a defesa da Galvão Engenharia, Shinko seria encarregado de recolher o dinheiro como ``emissário´´ da diretoria de Serviços da estatal, na presença de Pedro Barusco, gerente da Petrobras e subordinado de Renato de Souza Duque. Até o momento, o nome de Shinko não aparece entre os investigados desta fase da operação Lava Jato.
Os documentos apresentados pela Galvão mostram que a propina foi paga à empresa LFSN Consultoria e Engenharia Ltda. entre os anos de 2010 e 2014, e que está registrada no nome de Nakandakari e de mais dois parentes: Luis Fernando Nakandakari e Juliana Sendai Nakandakari.
A petição entregue pela defesa de Erton ainda ressalta que os pagamentos ocorreram a partir de uma ``efetiva ameaça de retaliação das contratações que a Galvão Engenharia tinha com a Petrobras, caso não houvesse o pagamento dos valores estipulados de maneira arbitrária, ameaçadora e ilegal´´. Também foram anexados ao inquérito policial que investiga a formação de cartel por parte das empreiteiras, planilhas onde constam todos os pagamentos feitos pela empresa à LFSN, além de notas fiscais.
No mesmo documento, a defesa de Erton ainda deixa claro a disposição do cliente em se submeter a uma acareação com Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da Petrobras) e com Alberto Youssef ``para demonstrar que foi vítima de crimes praticados pelos mesmos´´. A petição é assinada pelos advogados José Luis Oliveira Lima e Camila Torres Cesar.
A defesa de Renato Duque refuta a acusação de participação no esquema de corrupção na estatal. ``Ele já prestou seu depoimento e esclareceu todos os questionamentos. Além disso, está à disposição para continuar colaborando com as investigações, desde que seja colocado em liberdade´´, ressaltou o advogado Renato de Moraes. (R. C. J.)





