Executiva tenta resolver problemas em sete estados
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terça-feira, 23 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
A cúpula do PSDB e o presidente Fernando Henrique Cardoso aceitaram a saída do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, da Executiva Nacional do PSDB. O desligamento provocou alívio entre os dirigentes criticados pelo ministro e boa parte da bancada, que reclamava maior distanciamento entre governo e partido. Mas não há motivos para comemorar.
A Executiva Nacional tucana reúne-se hoje para administrar litígios no Espírito Santo, no Paraná, em Pernambuco, no Ceará, na Paraíba e no Amazonas, sem contar a crise provocada pela recusa do governador paulista, Mário Covas, de concorrer à reeleição. Fora da pauta apenas o caso da filiação do ex-governador da Bahia Nilo Coelho, razão da briga entre o ministro e a direção do PSDB. O ministro saiu da direção do partido e o ex-governador, que Motta queria expulsar do PSDB, continua na lista dos filiados.
A maioria da Executiva acha que Nilo Coelho é um assunto pretérito que não deve voltar à baila agora, resumiu o presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela (AL). Depois de oferecer um almoço aos dirigentes tucanos, evitando o tom formal e deliberativo das reuniões da Executiva, Teotônio Vilela explicou que a direção do partido respeita a decisão unilateral do ministro, que é um quadro importatíssimo do partido.
O porta-voz da Presidência da República, embaixador Sérgio Amaral, disse ontem que a saída de Motta é uma questão partidária e o presidente Fernando Henrique não vai intervir em uma questão partidária. O presidente não interferiu em momento algum nesse episódio e não considera que o assunto seja de sua atribuição, completou o senador Vilela.
A avaliação predominante entre os dirigentes é a de que a Executiva conseguiu se fortalecer diante da bancada, com a saída de Motta. Os deputados ficaram contentíssimos, porque a derrota do ministro no colegiado demonstra que o partido não tem dono, resumiu um dos membros da Executiva. O senador Teotônio Vilela contou que conversara com o ministro por telefone, e insistiu que Motta não tem inimigos na Executiva. Salientou, porém, que o respeito à decisão da regional baiana do PSDB, que filiou Nilo, foi aprovado pela maioria da Executiva. O PSDB não é um partido de donos, sentenciou Teotônio Vilela.
Não é por acaso que o porta-voz da Presidência disse ontem que o presidente Fernando Henrique acha normal que os partidos, um ano antes da eleição, já debatam sobre seus candidatos e seus programas. O próprio presidente está participando dessa discussão. As eleições de 1998 têm ocupado várias audiências presidenciais, como a que concedeu há uma semana ao ex-prefeito de Vitória Paulo Hartung.
Diretor social do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Hartung acertou com o presidente que trocará o PSDB pelo PTB por falta de espaço para concorrer ao governo do Espírito Santo pela própria legenda, embora seja o favorito na disputa. Antes de reunir a Executiva hoje, Teotônio Vilela quer conversar com líderes capixabas e tentar um acordo com o senador José Ignácio Ferreira (PSDB-ES) que insiste em disputar o governo pelo PSDB e tem a maioria dos votos na convenção que escolherá o candidato. Vai ser difícil segurar Hartung no partido.
Em Pernambuco, o senador Carlos Wilson (PSDB-PE), candidato ao governo do Estado, queixa-se da mania do partido de namorar o Jarbas. Refere-se ao candidato a governador pelo PMDB, Jarbas Vasconcelos, que o próprio Sérgio Motta insiste em filiar ao PSDB. O único que tem posição segura e privilegiada no partido hoje é o governador Tasso Jereissati (CE); o resto está balançando, resumiu Wilson.


