Acusado de suposta apropriação indébita de salários de assessores e investigado pela Corregedoria da Câmara de Londrina e pelo Ministério Público (MP), onde é alvo de uma ação pública por ato de improbidade administrativa, o vereador Paulo Arildo (PSDB) será julgado hoje pela Executiva municipal do partido pelo mesmo motivo. O julgamento, que começa às 14 horas no Hotel Sumatra, é parte do do processo disciplinar instaurado ano passado e relatado pelo advogado Arão Moreira dos Santos Neto, membro do Conselho de Ética.
Arildo terá meia hora para defesa oral antes de ser aberto prazo de 10 minutos para que cada um dos 45 filiados se manifeste. Só então é iniciada a votação aberta. Se o caso não for arquivado, o vereador fica sujeito a sanções que vão da advertência à suspensão ou, em última instância, à expulsão do partido.
De acordo com o presidente da Executiva municipal, Claudemir Molina, é necessário um mínimo de 14 filiados para validar qualquer decisão - que precisa, por sua vez, apenas de maioria simples. Como é terceiro suplente do partido, Molina já afirmou que se declarará impedido na votação, a fim de evitar eventual suspeição. O vice-presidente, Florindo Dalberto, vai presidir a sessão de julgamento.
Molina explicou que, entre as testemunhas, estão um ex-assessor de Arildo que confirma o suposto repasse de parte dos salários, Edézio Viana, e, pela defesa, uma ex-assessora que nega o repasse, Izabella Faiad. Serão ouvidos ainda a esposa do vereador, Valéria Cristina de Oliveira, e um assessor de gabinete do tucano, primo de Valéria. A esposa do parlamentar, contudo, também foi acusada pelo MP de colaborar para o suposto esquema de cobrança, o que tanto ela quanto Arildo negam.
Na defesa encaminhada ao PSDB, Arildo repetiu a versão apresentada ao MP de que os valores repassados pelos assessores a ele eram, na verdade, parcelas de empréstimos pessoais. Cauteloso, Molina disse que, no partido, ''as pessoas estão muito interessadas em que o diretório faça o seu trabalho''.
PRP
Quem também será julgado pelo partido, mas no final da semana que vem, e pela Executiva Estadual, é o vereador Rodrigo Gouvêa (PRP). A sigla apura denúncia de que Gouvêa, ao apoiar Barbosa Neto (PDT) no novo segundo turno, teria sido infiel ao partido, coligado ao PSDB de Luiz Carlos Hauly.
''Foram juntados declarações, fotos e outros documentos que caracterizaram infidelidade, então o diretório acatou, abriu o processo disciplinar e o vereador encaminhou a defesa no início desta semana, negando a acusação'', explicou o presidente estadual do PRP, Jorge Luiz Martins. Conforme Martins, após análise da Comissão de Ética, um relator encaminhará seu parecer à Mesa que definirá o futuro de Gouvêa no PRP. A sessão de julgamento será na próxima quinta ou sexta-feira e também é aberta possibilidade de defesa oral.
Em entrevistas recentes, Gouvêa afirmara que o apoio a Barbosa teria sido liberado pela executiva local. Sobre isso, Martins foi taxativo: ''Um erro não justifica o outro, pois a Justiça Eleitoral já havia decidido que se mantivessem, no novo segundo turno, as coligações do primeiro. Foi uma desobediência à determinação judicial e uma quebra da fidelidade partidária'', encerrou. A FOLHA ligou ontem para Arildo e Gouvêa, mas ambos não foram localizados.

mockup