Uma sessão de terça-feira em que quase nada se falou sobre o árduo dia anterior, quando o plenário da Câmara de Londrina salvou por nove votos a oito o mandato do vereador Rodrigo Gouvêa (sem partido), ao aprovar o relatório final da Comissão Processante (CP) que apurou se ele havia mantido, por três meses, uma assessora fantasma para seu gabinete. Único que ainda teve que dar explicações e comentar a segunda-feira foi o vereador Paulo Arildo (PSDB), justamente por não ter opinado na sessão que votou o parecer da CP.
Arildo burlou o encaminhamento tirado pela Executiva Municipal do PSDB que, no último dia 1º, havia definido votar pela não aprovação do relatório da comissão processante, ao abster-se no momento em que o presidente da Câmara, José Roque Neto (PTB) determinou que os parlamentares anunciassem seus votos. Tal atitude causou alvoroço imediato no ninho tucano, que abriu processo disciplinar contra o vereador ainda na noite de anteontem.
O presidente do diretório municipal do PSDB, Claudemir Molina, informou ontem que foi até designado um relator do processo ético, que tem prazo de instrução de 90 dias. Arildo já tem uma condenação no partido (advertência) por conta da ação que responde na Justiça por supostamente dividir salários com assessores.
Este mesmo processo foi o que fez com que Paulo Arildo tivesse dificuldade em votar na sessão de segunda-feira. Por conta de uma decisão judicial, tanto ele quanto os colegas Sandra Graça (PP) e Tito Valle (PMDB) foram alertados - por meio de decisão judicial proferida em uma medida cautelar - que seus votos poderiam gerar suspeição e questionamentos judiciais futuros, já que também são alvos de investigação.
''Este vereador está tranquilo de discutir com o partido quando for convocado. A mudança (de não votar) houve depois da fala do advogado do Rodrigo (Guilherme Gonçalves) de que eu poderia anular todo o trabalho da Comissão Processante (caso votasse). Imagina eu ser culpado de acabar com todo este trabalho?'', ponderou Arildo.
Logo após o encerramento da sessão de votação do relatório da Comissão Processante, o presidente do PSDB, aviantou a possibilidade de Arildo ter sido ameaçado. ''Nós tivemos conhecimento de que ele teria sofrido ameaças de que, se votasse de certa forma, sofreria retaliações; mas ainda não posso dizer de onde partiram as ameaças. O fato é que a nossa recomendação era clara, pela não aprovação do relatório. Durante a sessão, o vereador chegou a dizer que acompanharia o partido, mas depois declarou-se impedido'', comentou Molina.
O vereador negou que tenha recebido ameaças antes da votação, mas admitiu que se sentiu intimidado com a defesa ''direta'' feita pelo defensor de Gouvêa.
Ação continua
O advogado Áureo Francisco, que se identifica como assessor do também advogado José Henrique Ferreira Gomes, o qual entrou com medida cautelar com pedido de liminar que visava o afastamento dos vereadores Sandra Graça, Paulo Arildo e Tito Valle da votação, assegurou que a ação deve prosseguir. ''O juiz nos deu um prazo para que apresentarmos a ação principal. Porém, tenho que conversar com o José Henrique para dar mais detalhes.
Gomes não foi encontrado pela FOLHA na tarde de ontem. Ele entrou com a ação representando José Valdemor Landioso, que, segundo Áureo Francisco seria um senhor indignado com o que acontece na Câmara e que não quer dar entrevistas por medo de retaliações. (Colaborou Wilhan Santin)

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