Executiva do PSDB suspende Gianoto, que pode ser expulso
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sexta-feira, 27 de outubro de 2000
Patrícia Zanin De Londrina 
A executiva estadual do PSDB decidiu ontem suspender a filiação do prefeito afastado de Maringá Jairo Gianoto, acusado de improbidade administrativa. A suspensão é o primeiro passo de um processo disciplinar instaurado ontem pelo Conselho de Ética da sigla, que pode culminar com a expulsão do tucano. O PSDB se reúne em Curitiba no dia 17 de novembro e pode decidir a expulsão.
De acordo com o presidente estadual do PSDB, senador Alvaro Dias, o estatuto do partido prevê expulsão para membros que cometerem improbidade. A denúncia é grave e por isso decidimos suspender a filiação dele imediatamente. Será preciso comprovar e esperamos os esclarecimentos do prefeito, que terá, se desejar, o direito de se manifestar durante a reunião do dia 17, explicou o dirigente.
Alvaro disse ontem estar arrependido por ter apoiado Gianoto. O senador esteve em Maringá, subiu no palanque do companheiro de partido durante um comício e gravou mensagens de apoio à candidatura do prefeito para o horário eleitoral gratuito. Peço desculpas à população de Maringá por ter dado esse apoio. Lamento profundamente ter participado da campanha, mas era dever de ofício como presidente da sigla. Tenho que me penitenciar, alegou.
Apesar do apoio, as relações de Alvaro com o prefeito nem sempre foram boas. Em 98, o senador não teria perdoado Gianoto pela adesão à campanha pela reeleição do governador Jaime Lerner (PFL), seu adversário. Além dele, também apoiaram o pefelista os então tucanos Tauillo Tezelli (Campo Mourão) e Teruo Kato (Paranavaí). Tezelli deixou o PSDB em 99 para ingressar no PPS, de seu padrinho Rubens Bueno, enquanto Kato foi desligado. Nos bastidores, a versão é de que o diretório estadual teria dado uma chance a Gianoto, mantendo-o no partido. Ele é membro do diretório no Paraná.
O irmão de Alvaro, também senador Osmar Dias (PSDB), lamentou ontem o episódio com Gianoto, mas foi mais light nas críticas. A denúncia é grave e a população de Maringá tem o direito de exigir a reparação de todos os danos causados, além da punição dos envolvidos. Agora é preciso comprovação e eu tenho a esperança de que não passe de um equívoco, afirmou.
Osmar também participou ativamente da campanha de reeleição do prefeito. Sou de Maringá, voto em Maringá e fiz campanha para ele. Se houvesse denúncias e eu tivesse sido informado, não teria participado, afirmou. O senador pretende votar amanhã e deve conversar com o prefeito. Fui pego de surpresa e não posso dizer que estou decepcionado porque ainda não tenho confirmação, mas se houver, será uma grande decepção.
Gianoto é acusado pelo MP por improbidade, pelo fato de cheque de R$ 549 mil terem sido encontrados nas contas pessoais dele. De acordo com o promotor José Aparecido Cruz, cheques nominais foram emitidos à Prefeitura de Maringá, endossados e depositados nas contas de Gianoto entre outubro de 97 e março de 99. O período coincide em parte com os desvios de R$ 2,6 milhões atribuídos ao ex-secretrário da Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi.


