Executiva do PSDB fará autocrítica
Segundo o governador do Rio, Marcello Alencar, tucanos deixaram FHC sozinho e, assim, ‘‘o campo político ficou vazio’’
Agência Estado
Na reunião da Executiva Nacional do PSDB, marcada para as próximas quinta e sexta-feiras no Rio, o partido deverá fazer uma autocrítica em relação à queda no desempenho do presidente Fernando Henrique Cardoso nas pesquisas eleitorais. Pesquisas divulgadas no fim de semana indicam que o presidente está tecnicamente empatado com o candidato do PT, Inácio Lula da Silva. Segundo o governador do Rio, Marcello Alencar, um dos coordenadores da campanha da reeleição do presidente, o PSDB deixou Fernando Henrique sozinho. ‘‘Ele assumiu toda a responsabilidade de viabilizar a estabilidade econômica e, assim, o campo político ficou aberto’’, avaliou Alencar. ‘‘Nós não fizemos a contrapropaganda da oposição’’.
O governador quer ver, agora, o PSDB falando mais sobre o desemprego e a seca, os dois temas que derrubaram os índices de Fernando Henrique. ‘‘São problemas cujas soluções estão mais perto de nós, do governo, do que da oposição, mas que estão sendo debitados ao presidente’’, apontou. E, apesar de ressaltar que a referência de Fernando Henrique aos aposentados ‘‘vagabundos’’ tinha como alvo os privilegiados do sistema, Alencar reconheceu que a declaração prejudicou a campanha. ‘‘Foi um mau momento’’, afirmou.
Ele não quis dar maior importância às pesquisas divulgadas no fim de semana, que apontaram um empate técnico entre o presidente e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. ‘‘Vamos agir com racionalidade: esse não é um resultado pré-eleitoral e Deus nos livre de que a queda nos índices seja uma verdade estatística’’, disse - e, citando seu principal adversário político, o ex-prefeito César Maia (PFL), sentenciou: ‘‘As pesquisas são um factóide’’. Alencar admitiu, porém, que os resultados das pesquisas servem de advertência para a cúpula da campanha. ‘‘Não podemos deixar crescer esse movimento da oposição, que inclui os saques e a agitação dos sem-terra, porque há o risco de uma crise que abalaria as instituições políticas, muito mais do que a campanha’’, afirmou.

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