Executiva decide apoiar Paulinho
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quarta-feira, 07 de maio de 2008
Gabriela Guerreiro<BR>Folhapress 
Brasília - A Executiva Nacional do PDT decidiu ontem, por unanimidade, apoiar o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, nas acusações de envolvimento em esquema de desvio de empréstimos do BNDES. O partido entendeu que não há denúncias concretas contra o parlamentar que justifiquem punições a Paulinho - que variam desde a advertência verbal à perda de mandato. ''Doze integrantes (da Executiva) se pronunciaram no sentido de que não há elementos que nos levem a ter atitude que não seja de solidariedade ao deputado. O partido não viu elementos de prova que possam incriminá-lo'', afirmou o presidente em exercício do PDT, deputado Vieira da Cunha (RS).
Aliviado com a decisão do partido, Paulinho disse que esperava obter o apoio da legenda. ''O partido por unanimidade me deu total apoio porque não há nada contra a minha pessoa. Me coloquei à disposição da Corregedoria da Câmara para esclarecimentos e abri os meus sigilos. Era isso que eu esperava porque, como não há nada contra mim, existem apenas citações'', afirmou.
Cunha disse que o discurso de Paulinho na tribuna da Câmara ontem à tarde, além da abertura de seus sigilos à Procuradoria Geral da República (PGR), pesaram na decisão da legenda de apoiá-lo. Além disso, o presidente do PDT ressaltou que as citações ao nome de Paulinho pela Polícia Federal, na Operação Santa Tereza, não comprovam o seu envolvimento no esquema de fraudes no BNDES.
O presidente do PDT reconheceu, no entanto, que as denúncias constrangem a legenda por envolverem uma de suas principais lideranças. ''É evidente que o partido se constrange. Mas consideramos transparentes as atitudes do deputado.''
O senador Jefferson Péres (PDT-AM), que defendeu o afastamento de Paulinho do partido, não participou da reunião da Executiva. Já o senador Osmar Dias (PDT-PR), que também havia se mostrado favorável ao seu afastamento, desistiu de pedir formalmente o desligamento de Paulinho apesar de estar presente na reunião.
''Eu perguntei a ele particularmente, antes da reunião, se estava disposto a se afastar. Mas ele disse que não se afastaria, por isso não fiz o pedido durante a reunião'', justificou Dias.
Paulinho atribuiu as denúncias à disputa eleitoral pela Prefeitura de São Paulo, além de uma ''conspiração de forças'' contrárias ao direito dos trabalhadores na Câmara dos Deputados. Cotado para disputar a prefeitura da capital paulista pelo PDT, o deputado disse que o peso do bloco partidário nas eleições também pode ter influenciado o surgimento das denúncias.
''Se o bloco não tiver candidato e pender para um lado ou para o outro, decide as eleições em São Paulo'', afirmou. O deputado disse, no entanto, que as denúncias não prejudicam a sua virtual candidatura à prefeitura de São Paulo. ''Pode ser que comprometa, como pode ser que me dê mais voto. Eu tive apoio inédito de todas as seis centrais sindicais do país'', ressaltou.


