Exame de Ordem
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Exame de Ordem
Uma das coisas que aprendi nos estudos de Direito Penal foi que nele não se aplica, de forma alguma, como norma interpretativa, a analogia, admitida em outros campos do Direito. Impõe-se um fundamento pétreo, o princípio da anterioridade legal, que sentencia "Não há crime sem lei anterior que o defina e nem pena sem prévia cominação legal". Embora a similitude de trato que se pretende dar à grave lesão da homofobia como se trata o racismo, a orientação agride materialmente aquele princípio básico.
No Tribunal de Nuremberg a questão foi invocada em relação ao genocídio, como se a história não registrasse massacres étnicos como parte da aventura humana. Era, porém, julgamento de derrotados numa guerra.
Questões como essas são arguidas no exame de Ordem e de vez quando se dão no STF ou STJ, quando luminares da Casa se deparam com a falta de leis e, o mais das vezes, tentam supri-las como "regra três" do Congresso. Como se percebe, o exame de Ordem também chega nas instâncias máximas do Poder Judiciário.
E agora?
O ativismo e a atmosfera de euforia, apropriadas a novos governos, são um contraponto forte à realidade vivida: fala-se em economia de tostões e percebe-se que o Paraná continua em queda, tanto na receita como na despesa, tema da fala do secretário da Fazenda, Renê Garcia Júnior, em audiência pública no legislativo nessa quarta-feira (27). A receita corrente de 2018 foi de R$ 45,9 bi contra R$ 44,8 bi em 2017, aumento nominal de 2,46% e redução real de 1,14%
Apesar de essa situação nada ter de nova mostra o quanto era concretamente mentiroso o discurso de Beto Richa, apontando-nos como exemplo de correção fiscal. Sua sucessora, Cida Borghetti, entregou o bastão a Ratinho Junior e dizia ter deixado em caixa R$ 5,1 bi, todavia a maior parte desses recursos era comprometida com despesas vinculadas (R$ 2,5 bi) ou com restos a pagar (R$ 2,4 bi). Como persiste o problema no sistema fazendário, falta de conexão , vamos certamente assistir a um bate papo entre as partes.
Desigual
O tratamento entre uma região metropolitana verdadeira e as demais criadas por lei, mas sem rigor conceitual, dá margens notórias a desigualdades. O Paraná, segundo rigor metropolitano, tinha duas: a de Curitiba e a Metrópole Linear do Norte, que juntava Londrina e Maringá. Ponta Grossa também virou região metropolitana com o chio cívico de Castro, que lembrava também ter sido capital provisória.
Pois agora Londrina, que já tem a bronca do Iapar não resolvida, se sentiu discriminada com o ato de Ratinho Junior cedendo R$ 150 milhões para o subsídio ao sistema de transporte da capital, quando isso não ocorreria no interior. Argumenta-se que os sistemas do interior estão longe do nível de integração da capital: nos de menor porte pode-se andar de graça como em Agudos do Sul e outra no vale do Ivaí.
Politicamente é prato cheio que revolve queixas antigas de discriminações como aquela de passado que dividia o Paraná em Estado do Paranapanema, abrangendo a área do café, e o resto o Paranapamonha. Valia como discurso e tanto que os governos desde Maneco Facão. com a Estrada do Cerne, até encontrar seu auge com Ney Braga e sucessores, acabou se integrando. O chio é válido e rico na medida em que ressalta aspirações locais, mas passa a ser um problema a mais no horizonte do governo e tisna um pouco o clima de euforia.
Violência
Os registros sobre a violência contra a mulher chocam: 17 mil deles no Paraná em 2018. Números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública espantam, pois 76% das agressões são cometidas por conhecidos, três em cada quatro casos no ambiente doméstico; 52% delas se calou e apenas 10% foram à polícia. Por sinal que há pouquíssimas delegacias no país. Nessa pandemia a região sul, o sul maravilha, lidera as estatísticas.
Devagar
Aquisição de máquinas pela indústria cresceu 5,2% em janeiro, porém não há sinais de melhora no mercado de trabalho, posto que o ocorrido na área da construção civil tenha um traço animador. A existência, dias atrás, de 3 mil empregos nas várias agências do trabalhador no Paraná vale comemoração. Fé, porém, é o que não falta: a cada dia, nos dois últimos anos, uma igreja foi aberta no Paraná.
Cabral, o máximo
Sergio Cabral, ao declarar que o dinheiro movimentado pelos doleiros Renato e Marcelo Chebar era seu, deu importante contribuição às investigações do juiz Marcelo Bretas em cima de um dos temas que tanto o início da Lava Jato como a questão do Banestado com as CC5 subestimaram. Doleiros, apesar do Youssef e sua participação notória, não eram visados com a relevância devida.
Folclore
Expectativa de passagem em Curitiba acima de R$ 5 levou boa parte do público ao conformismo com os R$ 4,50. Assim mesmo houve protesto. A contestação do pleito do Gaeco contra a licitação histórica não andou na justiça, urge apurá-la. Precisamos saber com o que estamos lidando.


