Ex-vice-reitor reconhece falha em obra da UEL
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de agosto de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
O ex-vice-reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Eduardo Di Mauro reconheceu ontem que a instalação de uma placa alusiva ao ''término de construção'' da Casa do Estudante, em junho, configurou uma ''pequena falha''. ''Não uma grande falha porque entregamos a maior parte da obra, mas se hoje uma comissão de técnicos apontou que faltam alguns itens, de fato eu reconheço. Mas não era placa de inauguração.''
A declaração se refere à obra inacabada da Casa do Estudante, que consumiu R$ 1,45 milhão na gestão Lygia Pupatto/Eduardo Di Mauro, recebeu placa de finalização, mas permanece inabitada em razão da falta de acabamento: calçada no entorno (o que permitirá infiltração nas fundações), piso nos quartos, corrimão, segurança patrimonial e pessoal, grades nas jalenas e cerca em volta do prédio, cortinas e persianas, entre outros itens. A análise técnica do prédio foi feita por uma comissão nomeada pelo Conselho de Administração da UEL. O reitor Wilmar Sachetin afirmou à Folha na terça-feira que vai constituir uma comissão de sindicância amanhã para apurar responsabilidade pela interrupção da obra.
Eduardo di Mauro, que substituiu a ex-reitora Lygia Pupatto nos últimos meses do mandato, declarou que havia ''um grande interesse em que a Casa fosse concluída na nossa gestão porque é um assunto que a reitora se empenhou diretamente e acabou conseguindo os recursos''. ''Quase no fim do mandato recebi a informação da Pró-reitoria de Planejamento e Prefeitura do Campus de que a parte física estava pronta e por isso resolvemos colocar a placa de término da obra física'', contou Di Mauro.
De acordo com ele, a avaliação naquele momento é que seriam necessários ''pouco mais de R$ 100 mil'' para fazer o acabamento. ''Havia dinheiro para isso. Em três meses de trabalho poderia ser inaugurada''.
O ex-pró-reitor de Planejamento Marcos de Toledo Tito, responsável pela elaboração do projeto da Casa do Estudante, disse que o ''acabamento tem que ser simples mesmo''. ''Pode faltar uma coisinha ou outra, mas o acabamento é singelo, para alunos carentes. Nós fizemos o que foi possível.''
O atual pró-reitor de Planejamento, Otávio Shimba, criticou a ''sistemática de trabalho'' adotada em obras como a da Casa do Estudante. ''Primeiro a universidade corre atrás de dinheiro, e depois faz o projeto. Nós estamos mudando isso e adotando um sistema em que os projetos são elaborados primeiramente. Com isso, vamos reduzir os custos e garantir que o resultado final da obra será igual ao planejado.''
A ex-reitora e atual secretaria estadual de Ciência e Tecnologia, Lygia Pupatto, foi procurada pela reportagem mas não retornou a ligação. No relatório de gestão intitulado ''Tempo de Luz'' a obra é anunciada como ''uma realidade''.


