O Ministério Público (MP) do Paraná, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público de Londrina, protocolou na última segunda-feira na 3 Vara Criminal denúncia sobre o suposto pagamento do ''mensalinho'' pela empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) a ex-vereadores do município. Foram denunciados por corrupção passiva os ex-vereadores Renato Silvestre Araújo e Orlando Bonilha Soares Proença, e, por corrupção ativa, o administrador de empresas Gildalmo de Mendonça.
De acordo com a denúncia, entre janeiro de 1997 e janeiro de 2008, como diretor-geral da empresa TCGL, concessionária do serviço de transporte coletivo do Município, Mendonça teria pago, em dinheiro, valores mensais entre R$ 600 e R$ 1,6 mil aos dois vereadores, ''além de outros, possivelmente'', para que se omitissem na fiscalização de contratos e concessões municipais e na propositura de alterações legislativas que interferissem nas atividades da TCGL.
O ''mensalinho'' foi um dos mais de 20 supostos esquemas de corrupção dentro da Câmara de Vereadores relatados por Orlando Bonilha enquanto esteve preso no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) em junho do ano passado, no acordo de delação premiada com o MP. Outros nove vereadores que exerceram mandato na gestão passada foram acusados por Bonilha, mas não foram indiciados no inquérito por falta de indícios de participação.
Gildalmo de Mendonça, que chegou a ter prisão temporária decretada no ano passado pelo suposto pagamento e foi mantido por cinco noites no CDR, informou na tarde de ontem não estar sabendo da denúncia e que prefere conversar com seu advogado antes de se pronunciar sobre o assunto. Mendonça reclamou que as informações chegam antes à imprensa do que às partes envolvidas.
O advogado do ex-vereador Orlando Bonilha, Ronaldo Neves, também argumentou não ter conhecimento da matéria, mas que pretende, ''como de praxe'', receber a citação e oferecer a defesa prévia do cliente. ''Vamos acompanhar a regularidade do procedimento e vamos estabelecer a busca com base na lei da delação premiada'', disse.
Já o advogado criminal de Renato Araújo, Fernando Boberg, que é de Jacarezinho (Norte Pioneiro), informou que vem hoje a Londrina para se inteirar da denúncia e decidir qual o melhor caminho jurídico.

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