Seis ex-vereadores que ocuparam mandato na legislatura passada (2005 e 2008) na Câmara Municipal de Londrina e o empresário Waner Labigalini, dono da empresa Gastech, a única que fornece gás natural veicular (GNV) na cidade, foram acusados de improbidade administrativa em ação civil pública protocolada no último dia 22 pelos promotores de Defesa do Patrimônio Público. São réus Henrique Barros, apontado como sócio oculto da Gastech, Orlando Bonilha, Renato Araújo, Flávio Vedoato, Sidney de Souza e os herdeiros de Osvaldo Bergamin (já falecido).
O Ministério Público cobra o ressarcimento de R$ 623 mil aos cofres públicos, relativamente ao valor corrigido do terreno doado para a empresa (na Avenida Rio Branco com a Avenida Brasília), além do valor supostamente recebido por cada um dos réus como propina para aprovar a lei de doação. Os promotores também pedem a declaração de inconstitucionalidade da lei que autorizou a doação, em 2006.
Conforme a ação, distribuída à 2 Vara da Fazenda Pública, o caso da Gastech fez parte de ''um grave esquema de corrupção, cujo objetivo era auferir vantagem patrimonial indevida''. Os promotores narram que Henrique Barros ''ocultou sua condição de sócio da empresa, atuando diretamente no processo legislativo correspondente à doação do imóvel''. Já os outros vereadores teriam recebido R$ 36,8 mil (corrigidos) de Barros e de Labigalini para aprovar a doação. Bonilha teria recebido R$ 3 mil; Bergamin, Souza e Araújo teriam se beneficiado com R$ 5 mil; e Flávio Vedoato, R$ 8 mil.
Os promotores sustentam que há fortes indícios de que Henrique Barros era sócio oculto da Gastech. O ex-vereador teria efetuado pagamentos em favor da empresa que executou as obras de construção do posto de GNV; entre 2005 e 2008, ele teria sido sócio de uma empresa de consultoria juntamente com Labigalini, com endereço onde estava sediada a Gastech; e no dia de sua prisão em flagrante, em janeiro de 2008, afirmou em depoimento aos promotores que seria sua propriedade a loja de conveniência localizada no posto e as bombas e que o restante do empreendimento não lhe pertencia.
Em entrevista à FOLHA, o empresário Waner Labigalini negou que o ex-vereador fosse seu sócio e disse que já esclareceu tudo em depoimentos prestados à Promotoria na época do escândalo na Câmara. ''Foi esclarecido tudo no passado. Sempre teve essa conversa descabida de que o vereador era meu sócio. Ficou provado lá atrás que nada houve de irregular. Nunca ninguém me pediu qualquer pagamento.'' O empresário também demonstrou irritação com a atuação do MP. ''Se as coisas continuarem assim, temos que repensar se vale a pena continuar investindo em Londrina ou largar tudo e ir para outra cidade. Cornélio Procópio e Maringá gostariam de um investimento como esse.'' Ele afirmou ter investido R$ 2,5 milhões, com 15 empregos diretos.
O advogado Dely Dias das Neves, que defende Sidney de Souza, que disputa uma vaga na Câmara Municipal nas eleições deste ano, disse que desconhecia o processo. ''Estou surpreso.'' O advogado de Bonilha, Ronaldo Neves, afirmou que o caso da Gastech não faz parte do rol de irregularidades denunciado por seu cliente e abrangido pela delação premiada. ''Vou estudar esse caso.'' Os advogados dos demais réus não foram localizados ontem pela reportagem.

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