Curitiba - Começou ontem em Curitiba o julgamento de dois acusados de envolvimento no assassinato do vereador de Campo do Tenente (81 quilômetros ao sul de Curitiba), Divonzir Rodrigues, em 2002. Estão sendo julgados o ex-vereador do município Carlos Hubner Neto, 58 anos, acusado de ser o mandante do crime, e André de Souza, 24 anos, acusado de participar do homicídio. Hubner também está sendo julgado por receptação e formação de quadrilha, uma vez que é acusado de ser integrante da quadrilha de roubo de cargas de Mário Fogassa, denunciado no mesmo ano pelo Ministério Público (MP) estadual. A previsão até o fechamento da edição era de que o julgamento iria até as 23 horas de ontem e continuaria hoje pela manhã.
A tese do advogado de Hubner, Antonio Henrique Amaral Rebello Mello, é de que dois rapazes já foram condenados pelo assassinato de Rodrigues e alegaram não ter mandante. ''Eles foram condenados por homícidio simples. Isso quer dizer que nunca teve um mandante'', argumentou. Rodrigues foi morto em seu bar, depois de supostamente tentarem roubar seu carro. Ele reagiu e foi baleado por Venícius Lous Quintino, 23 anos, e Adriano José da Silveira, 26, já condenados. Além dos dois, foram indiciados pelo crime Ezequiel Schivitaiky, 24 anos, e Souza. Isso porque pouco antes do crime os quatros fugiram juntos da cadeia da cidade. O bar de Rodrigues ficava a 500 metros da delegacia.
Em princípio, apurou-se que o crime aconteceu porque os dois tentaram roubar o carro do vereador, que reagiu. No meio da confusão Rodrigues levou dois tiros e os assassinos fugiram do local sem levar nada. Na época Silveira e Quintino alegaram que a intenção era roubar o carro do vereador para fugir, o que caracterizaria latrocínio, roubo seguido de morte. Por isso foram condenados por homicídio simples. Porém, a tese de latrocínio mudou porque no final de 2002 o MP estadual denunciou Mário Fogassa como líder de uma quadrilha de roubos de carga sediada em Campo Tenete e apontou Hubner como parte dela. E as investigações apontaram que Rodrigues foi morto porque sabia sobre a quadrilha e do envolvimento de Hubner.
As advogadas de defesa de Souza, Daniela Wyrebski Testoni e Lidiane Cunha, alegam estarem certas da absolvição de Souza, assim como aconteceu com Schivitaiky. ''Ele fuigu da cadeia porque foi praticamente carregado pelo Adriano e pelo Venícius. O mesmo aconteceu com o Ezequiel. Tanto que ele quanto o Ezequiel deram a volta na quadra e já foram ao posto da Polícia Militar (PM) avisar da fuga. Somente os outros dois foram para o bar'', afirmou Daniela. Segundo a advogada, na época Souza, que havia sido preso por furto, estava prestes a conseguir a liberdade provisória.
O promotor de acusação Cássio Roberto Chastalo afirmou no fim da tarde de ontem que ainda não sabia se iria pedir a absolvição ou condeção dos réus. ''Prefiro esperar as testemunhas e daí me definir. Sou fiel aos autos'', afirmou.

mockup