O ex-vereador Edilaldo Machado da Cruz (sem partido), de 33 anos, que é acusado de ser o mandante do atentado contra o então prefeito de Goioerê (67 km a oeste de Campo Mourão), José Paulo Novaes (PDT), em junho de 1995, vai se apresentar hoje, às 9 horas, no Fórum da cidade. A apresentação foi anunciada pelo advogado de Cruz, José Aparecido Borges, e confirmada pelo próprio ex-vereador em entrevista à Folha, por telefone.
‘‘Estou consciente de que vou ficar preso, mas acho que esse é o momento para se começar a corrigir uma injustiça’’, disse Cruz ontem, já em Goioerê. Existem dois mandados de prisão contra o ex-vereador. Um pelo atentado contra Novaes num restaurante da cidade, que resultou na morte da comerciante Neuzely Farias, na época com 36 anos, e outro pela morte do vereador Walter Carbonieri, de 49 anos, em maio de 1990.
Cruz afirmou que vai se apresentar no Fórum por uma questão de segurança. Ele adiantou que vai contar ao juiz Nestário da Silva Queiroz que, antes e depois do atentado contra Novaes, vinha sofrendo ameaças de extorsão por policiais que atuavam na época na delegacia de Goioerê. Ele nega participação nos crimes. Cruz acredita que só foi indiciado porque se recusou ‘‘a extorquir os policiais.’’
‘‘Não existe nos autos uma testemunha contra mim no atentado’’, explica Cruz. O ex-vereador disse também que nunca fugiu à responsabilidade sobre a morte de Carbonieri. Os dois eram vereadores em 1990 quando se desentenderam. Cruz acabou matando Carbonieri a tiros em frente à Câmara, às 20 horas do dia 14 de maio, duas horas depois de uma audiência de conciliação no Fórum da comarca. Carbonieri era radialista em Goioerê.
Segundo o ex-vereador, desde que saiu de Goioerê, na época do atentado, passou por 17 Estados e morou em 25 cidades. ‘‘Andei 90 mil quilômetros para ficar em liberdade’’, contou. Cruz afirmou que nesse período trabalhou fazendo assessoria a prefeitos e vereadores e que nunca usou documentos falsos. Ele também revelou que esteve duas vezes em Goioerê para visitar a família quando o pai esteve doente.
O advogado de Cruz, José Aparecido Borges, disse que tem confiança que o ex-vereador será inocentado da acusação de mandante do atentado. O autor dos disparos contra o prefeito e que mataram a comerciante, Admílson de Souza Pereira, o ‘‘Paraíba’’, de 33 anos, já foi julgado quatro vezes e em todas elas assumiu sozinho a autoria do crime. Paraíba foi condenado a 10 anos e 7 meses de prisão, mas aguarda recurso em liberdade.
O atentado contra Novaes tem apenas um acusado preso, Ronaldo Wilson Hernandes, de 29 anos, que dirigia o carro usado no crime, foi condenado a 17 anos e 6 meses de prisão. Outro acusado, Fábio Henrique Afonso, de 28, foi julgado e absolvido duas vezes. Novaes continua morando em Goioerê, onde é dentista.

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