O ex-vereador Aldi César Mertz (PDT) disse que a administração do ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto era bem relacionada com o Tribunal de Contas do Estado. ‘‘Havia uma harmonia muito grande entre o ex-secretário da Fazenda Luis Antônio Paolicchi (acusado de desviar dinheiro da Prefeitura) e o Tribunal de Contas’’, relatou Mertz, que era um dos opositores de Gianoto na Câmara municipal. Ele informou que em dezembro do ano passado, quando os desvios de dinheiro público estavam sendo denunciados, apresentou um pedido de informações para questionar a atuação do TC, que aprovou as contas de 1997 e 1998.
‘‘Eu queria saber quais eram os critérios que o Tribunal de Contas adota para fazer as aprovações dos números dos municípios paranaenses, mas esse requerimento não teve resposta’’, reclamou Mertz. Quando o escândalo veio a público, com as denúncias do Ministério Público, o TC iniciou uma auditoria. Pelo resultado anunciado em janeiro, só na administração de Gianoto o rombo nas contas do município atingiu R$ 54 milhões. ‘‘Não conseguimos entender como uma coisa descarada passou pelo crivo do tribunal’’, questionou Mertz, numa referência à aprovação das finanças dos dois primeiros anos de gestão de Gianoto.
Em entrevista à Folha na edição de ontem, o ex-presidente do TC Quiélse Crisóstomo da Silva disse que as atividades de Paolicchi só despertaram suspeitas depois que ele pagou à vista uma grande multa aplicada pela Receita Federal por sonegação de impostos. Quiélse foi homenageado pela Câmara de Maringá no ano passado, com o título de cidadão honorário. Para o ex-vereador Mertz, o TC teve um comportamento falho na fiscalização dos gastos públicos em Maringá. ‘‘Ou não conferiam coisa nenhuma ou havia gente que sabia do problema e passou por cima.’’
Sobre o relacionamento entre o governador Jaime Lerner (PFL) e Gianoto, Mertz contou que o ex-prefeito foi uma figura decisiva para garantir o ‘‘acordo branco’’ nas eleições de 1998, com a candidatura ao Senado de Alvaro Dias pelo PSDB. Em contrapartida, os tucanos do Paraná não atacaram Lerner na sua campanha pela reeleição ao governo do Estado e não lançaram candidato. ‘‘O Jairo teve intrigas com o Alvaro para defender o Lerner’’, disse Mertz.

mockup