Ex-vereador deve começar a cumprir pena por concussão
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quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
O ex-vereador Joel Garcia, que exerceu um único mandato da Câmara Municipal de Londrina, entre 2009 e 2012, deverá começar a cumprir pena alternativa nos próximos dias pela condenação por concussão em sentença proferida em maio de 2012 pela 3ª Vara Criminal e mantida pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. A defesa de Garcia chegou a protocolar recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas, com o indeferimento, o processo transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso.
Conforme a sentença, o ex-vereador exigiu da então administração do prefeito Barbosa Neto (PDT) que sua empresa de hortifruti, a Stanley Garcia e Cia Ltda., fosse contratada pelo município para fornecer os produtos da merenda escolar. Sem isso, faria oposição sistemática na Câmara. A licitação acabou cancelada e membros do governo pedetista denunciaram o então correligionário ao Ministério Público (MP), autor da ação.
Pelo crime, Joel foi condenado pelo então juiz Katsujo Nakadomari a dois anos e oito meses de prisão no regime aberto, pena substituída por restrição de direitos e prestação de serviços à comunidade. Entre as penas restritivas, estão a proibição do exercício de cargo público ou mandato eletivo e de participar de concurso público e de procedimentos licitatórios por quatro anos. Já os serviços públicos devem ser prestados pelo período de seis meses em local a ser definido pelo Patronato Penitenciário de Londrina.
Segundo o cartório da 3ª Vara Criminal, o atual juiz, Juliano Nanuncio, expediu ontem as guias para a 2ª Vara de Execuções Penais, responsável pelo cumprimento de medidas alternativas.
Joel voltou a negar o crime, afirmando que as testemunhas que o acusaram - Marco Cito (secretário de Gestão Pública), Rogério Lopes Ortega (ex-chefe de gabinete) e Alysson Tobias Carvalho (ex-diretor da Sercomtel), aliados de Barbosa eram seus inimigos capitais. "Até tentaram plantar dinheiro no meu gabinete. Imagine se não dariam declarações falsas para me condenar", comentou. Posteriormente os três seriam presos e acusados de formação de quadrilha e corrupção na tentativa de comprar apoio político de vereadores.
Joel afirmou ter documentos novos que poderiam provar a imparcialidade das testemunhas, o que permitiria que entrasse com ação rescisória para anular a condenação que já transitou em julgado. Quanto à pena, Joel disse que "há vários anos já faço serviços voluntários de advogado para várias entidades".
Pelo caso da Stanley, Joel já foi condenado em primeira e segunda instâncias por improbidade administrativa. Também consta de sua ficha condenação por improbidade em primeira instância por ter mantido funcionária fantasma em seu gabinete e por exigir pagamento de taxistas que temiam perder seus pontos. Em todos os casos, ele está recorrendo. Na esfera criminal, foi absolvido em primeira instância no caso da estagiária. O MP recorreu. Enquanto ocupava o mandato de vereador, Joel chegou a ser preso e foi afastado do cargo em pelo menos duas ocasiões.


