Ex-vereador deu voto decisivo contra Belinati
Não bastasse ter sido último - e decisivo - voto pela cassação do então prefeito Antonio Belinati, nas 26 horas de julgamento de 21 para 22 de junho de 2000, Orlando Bonilha ainda entrava ali para as páginas históricas da política londrinense como vereador ovacionado pelos integrantes do Movimento pela Moralidade na Administração Pública de Londrina, uma das poucas agremiações do gênero existentes no Brasil, à época. Espécie de herói no resultado, o ex-aliado de Belinati saiu do plenário enrolado na bandeira do Brasil e abraçado por defensores da cassação.
Em 2000 líder do Movimento pela Moralidade e atualmente integrante do tímido Movimento Mãos Limpas pelo Brasil - que se restringiu a alguns atos públicos no Calçadão de Londrina, por exemplo -, o empresário Valter Orsi diz agora que Bonilha pode ser sido o ''ator de uma peça teatral''. ''Ator'' no qual o movimento acreditou? ''Lutávamos por um voto; o Belinati tinha um 'rolo compressor' na Câmara. De qualquer forma, naquele momento o Bonilha materializou a humildade e teve um voto consciente e uma posição que foram de suma importância. Agora, sim, vemos que não passou de um teatro'', disse.
Teatro ou não, na ''performance'' do dia da cassação Bonilha ainda disparou à imprensa que cobria a sessão especial, como consta de edição história da FOLHA do dia 23 de junho daquele ano: ''Põe aí no jornal que o Belinati foi cassado por um açougueiro que ele subestimou''. O desabafo vinha meses depois de o vereador renunciar à presidência da CP contra o ex-prefeito, já que Belinati o acusara de ter pedido dinheiro para votar contra a abertura de uma comissão.
No centro da atual investigação, o suposto pedido de dinheiro novamente voltou à baila: dessa vez, porém, é Bonilha o alvo da CP, e empresários teriam sido os achacados. A acusação é negada pelo advogado do vereador Ronaldo Neves, que, por mais de uma vez, sentenciou: os projetos de lei investigados não foram feitos ''apenas pelo Bonilha; não existe formação de quadrilha com uma só pessoa, isso é subestimar a inteligência do londrinense''. (J.G)





