São Paulo - O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Armando Mellão Neto, 42, foi preso em flagrante ontem num flat no Itaim Bibi, bairro nobre de São Paulo, sob a acusação de extorquir o ex-deputado estadual Reynaldo de Barros Filho (PP). Ele foi detido em uma ação da Polícia Federal (PL) ao negociar o recebimento de um envelope com R$ 531.400,00. O dinheiro foi entregue pelo advogado de Reynaldo Filho, Laércio Benko Lopes.
Pelas investigações da PF, que começaram há 40 dias, Mellão falava em nome de congressistas da CPI do Banestado - que apura remessas ilegais de dinheiro ao exterior - e afirmava que podia barrar investigações em troca de dinheiro -''vender fumaça'', no jargão policial. Apenas no caso de Reynaldo Filho, a negociação total girava em torno de US$ 2,4 milhões. Outra vítima do esquema seria o ex-prefeito Celso Pitta (PSL-SP).
Os três parlamentares citados pelo ex-secretário como seus interlocutores na CPI - os deputados José Mentor (PT-SP) e Rodrigo Maia (PFL-RJ) e o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) - negam qualquer envolvimento no caso.
Com prisão temporária decretada, Mellão nega a extorsão. ''O que mais dói nisso é saber que foi uma armação'', afirma.
Instalada em junho do ano passado, a CPI do Banestado encontrou uma conta de Pitta em um banco norte-americano, aberta em 1994 com US$ 110 mil. O ex-prefeito sempre negou - e continua - ter conta no exterior.
No caso que se tornou público ontem, os figurantes giram em torno da era Maluf-Pitta à frente da Prefeitura de São Paulo (1993-2000). O pai de Reynaldo Filho, Reynaldo de Barros, foi um dos secretários mais influentes da gestão malufista. Mellão começou na política pelas mãos do ex-secretário, mas os dois estavam rompidos desde 98. Armando Mellão presidiu a Câmara Municipal no auge do escândalo da Máfia dos Fiscais (1999-2000), que terminou até com vereadores presos.
O trabalho da PF que culminou na prisão de Mellão começou em janeiro, depois que o deputado José Mentor foi procurado por advogados ligados a pessoas que estavam sendo extorquidas por Mellão. A pedido do petista, o Ministério da Justiça determinou a entrada da polícia no caso. A investigação, denominada ''caixa de Pandora'', durou dois meses, gravou fitas e grampeou ao menos 50 telefonemas.

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