Curitiba - O ex-vereador e ex-deputado estadual Aparecido Custódio da Silva, acusado de peculato e concussão (desvio de verba pública da Câmara de Curitiba e exigências de vantagens pessoais indevidas, em razão do cargo), foi preso novamente ontem. Custódio, que estava livre desde julho depois de nove meses de prisão, foi detido por uma equipe do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco), órgão vinculado à Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público em seu escritório na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Custódio foi levado ao Centro de Observação e Triagem e aguardava até ontem a noite concessão de habeas corpus pelo juízo da Central de Inquéritos.
A prisão de Custódio foi regada à polêmica. O Ministério Público (MP), responsável pela Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público, diz que fez cumprir decisão do Tribunal de Justiça (TJ). Custódio saiu da prisão em julho graças a uma liminar concedida pelo presidente do Poder Judiciário, Oto Sponholz. A liminar do desembargador foi conferida durante as férias forenses, quando a Justiça trabalha em regime de plantão. Na retomada dos trabalhos, a 1 Câmara Criminal do TJ cassou a liminar de Sponholz entendendo necessária a prisão de Custódio. O MP se baseou nessa decisão para efetuar a prisão do ex-deputado.
Jônatas Pirkiel, advogado de Custódio, classificou a prisão como ''ilegal, arbitrária e inconcebível''. O advogado afirmou que o MP não poderia ter prendido seu cliente por conta de uma decisão da 6 Vara Criminal de Curitiba que, em setembro passado, teria revogado a decisão da 1 Câmara Criminal do TJ. O MP, que se pronunciou ontem através de nota oficial, alega que não havia sido intimado da manifestação da 6Vara Criminal, que suspendeu o cumprimento da nova ordem de prisão determinada pelo TJ. E que uma decisão da 6 Vara não se sobrepõe a uma decisão da 1 Câmara do TJ.
Pirkiel acusou o MP de ''fascismo'' e de mandar na polícia do Paraná. ''Vamos tomar providências contra este linchamento que o MP está promovendo. É mais do que claro que eles (os promotores) estão perseguindo o Custódio'', declarou em entrevista à Folha por telefone.
Custódio responde a cinco ações, dentre civis e penais. Além da ação penal que motivou a sua prisão ontem e que há cinco meses aguarda sentença, o ex-deputado responde a mais três ações civis, de improbidade, e a uma penal por desvio de verba pública.

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