O senador José Roberto Arruda admitiu, em conversas com amigos nos últimos dias, que sente ‘‘muita vergonha’’ do erro que cometeu. ‘‘Nunca revelei nada a vocês porque eu tinha muita vergonha do que havia feito’’, disse o ex-tucano, referindo-se ao fato de ter conversado com a ex-diretora do Prodasen Regina Peres Borges sobre a possibilidade de violação do sistema de votação secreta da Casa. Foi com esse sentimento que Arruda chegou ao Senado ontem, acompanhado do advogado Cláudio Fruet, para participar da acareação com ACM e Regina.
Nos últimos dois dias, Arruda passou pelo menos 15 horas em encontros com os advogados para preparar a defesa. Ele tentou buscar tranquilidade e reunir argumentos para chegar ao Senado de forma a sensibilizar os colegas de que a cassação de mandato por quebra de decoro parlamentar em razão da ligação dele com o esquema de fraude é uma pena muita dura. ‘‘Há o caso de um senador que matou e não foi cassado’’, disse Arruda, ao chegar ao Senado, às 14h10, minutos antes do início da acareação, relembrando o caso do assassinato ocorrido na Casa cujo autor foi o senador Arnon de Mello, pai do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Em 1963, durante uma sessão no Senado, Mello disparou tiros contra o inimigo político Silvestre Péricles, mas matou o senador José Kayrala.
‘‘Eu não matei, eu não roubei, não desviei dinheiro público’’, declarou ele, sem, no entanto, comentar o fato de ter mentido, inicialmente, sobre a participação no episódio. Para o ex-líder do governo no Senado, o caso está sendo tratado de forma ‘‘desproporcional’’. Para se preparar para a acareação, Arruda participou de uma espécie de ensaio com os advogados, instalado na casa de um amigo no Lago Sul, em Brasília. A sessão de ontem, que começou às 14h40, terminou às 21h50.

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