Enquanto o Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) aponta ''inconsistências'' na prestação do auxílio funeral, concedido às pessoas de baixa renda em caso de morte de parentes, a Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) alega que os valores repassados pelo Fundo de Assistência Social, ligado ao conselho, são insuficientes e teriam gerado um deficit de R$ 25 mil entre outubro de 2011 e fevereiro deste ano. O ''rombo'' está destacado num ofício enviado à Secretaria de Assistência Social no último dia 17 de setembro, ao qual a FOLHA teve acesso.
Ontem as divergências entre os dois órgãos municipais, gerando a suspensão dos repasses, foram parar no gabinete do prefeito Gerson Araújo (PSDB), que cobrou explicações do superintendente da Acesf, José Roberto Damiano, e da presidente do CMAS, Neusa Tiba. Em nota sobre o encontro, enviada pelo Núcleo de Comunicação do município, Neusa Tiba afirma que ''pedimos a suspensão, porque até o ano passado havia uma padronização nos valores do benefício'' e ''já este ano houve variação nos valores''. Segundo ela, ''afirmar que há inconsistências não significa dizer que há irregularidades''. Ontem ela não foi localizada pela reportagem. Damiano, em entrevista à FOLHA, já havia confirmado que vai esclarecer ''100% dos apontamentos feitos pelo conselho''.
De acordo com a ex-superintendente da Acesf Luciana Viçoso, que estava à frente da pasta quando houve alteração nos valores dos serviços, ''todas as mudanças foram devidamente comunicadas à secretaria''. Ela confirma os argumentos apresentados no ofício enviado pela Acesf à secretaria, há cerca de um mês, questionando os baixos valores repassados como auxílio funeral, pois ''na maioria dos casos não cobriam 1/3 das despesas gastas com cada serviço prestado''. Luciana disse que diante das dificuldades financeiras ''em fevereiro começamos a colocar o custo exato dos serviços porque a Acesf estava subsidiando a maior parte dos sepultamentos''.
A ex-superintendente admite possibilidade de falhas no preenchimento de contratos, mas nega irregularidades ou ma-fé. ''Erro administrativo pode ocorrer, mas falar em contratos turbinados, não dá.'' Na avaliação de Luciana, a falta de recursos para o auxílio funeral deve ser resolvida pela Assistência Social. ''Se a previsão orçamentária para o serviço durante o ano não é suficiente, eles têm que corrigir para fazer jus a despesa.'' A reportagem tentou falar com a secretária de Assistência Social, Célia Andrade, mas ela não retornou o recado.

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