Curitiba – Ex-sócio do doleiro Alberto Youssef no laboratório Labogen, o empresário Leonardo Meirelles está negociando uma colaboração premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR), em Brasília. O acordo, caso venha a ser fechado, deverá ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolver políticos com foro privilegiado. A informação foi confirmada ontem por seu advogado, Haroldo César Nater.
Meirelles fez mais de quatro mil operações financeiras irregulares no exterior, e dentre elas, algumas envolveriam "mais de um político". A Labogen, da qual era um dos proprietários, era utilizada para essas operações fraudulentas. Para reforçar seu "desejo" de colaborar, Meirelles e seu irmão, Leandro, viajaram para a China no mês de abril, após autorização do juiz federal Sérgio Moro. O objetivo da visita era buscar comprovantes de transações bancárias feitas por eles para o esquema de corrupção da Petrobras.
"As negociações não são fáceis, e embora o juiz Moro já tenha reconhecido a colaboração do Leonardo na primeira sentença, estamos tentado formalizar isso de uma outra forma, para garantir a ele todos os benefícios de um colaborador", disse o advogado.
Leonardo Meirelles já foi condenado em um dos processos que tramitam na primeira instância, e ontem foi ouvido como testemunha de acusação do Ministério Público Federal (MPF) na ação penal que apura crimes cometidos por executivos da Odebrecht. Conforme o defensor, durante a audiência, Leonardo confirmou que fez repasses no valor de U$ 7 milhões no exterior para contas que seriam de responsabilidade da Odebrecht. "Ele fez declarações que corroboram com os depoimentos prestados pelo Alberto Youssef. Disse que repassou valores, mas que teve conhecimento de que eram para a Odebrecht por meio do doleiro", afirmou Nater.
O empresário já foi condenado a cinco anos e seis meses de prisão no final de abril em um dos processos da Lava Jato. Ele foi considerado culpado por fazer operações de câmbio negro para lavar dinheiro para Youssef, mas em sua sentença Moro autorizou Meirelles a aguardar o julgamento dos recursos em liberdade.

AUDIÊNCIA

Outro depoimento aguardado era do empresário e presidente da UTC Engenharia, Ricardo Ribeiro Pessoa. Ele fechou acordo de colaboração premiada com a PGR e, pela primeira vez, foi ouvido como testemunha dentro de um dos processos decorrentes da Lava Jato.
Entretanto, segundo alguns advogados que participaram da audiência, ele não pôde repassar muitos detalhes sobre o pagamento de propina a políticos, porque somente o STF tem competência para investigar pessoas com foro privilegiado. Por isso, sempre que questionado sobre o assunto, ele permaneceu em silêncio.
Outro que também foi ouvido na oitiva de ontem foi o ex-vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Hermelino Leite.

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