A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público ajuizou no último dia 19 ação por improbidade administrativa contra dois ex-servidores da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e dois particulares envolvidos em suposto esquema de cobrança de propina para agilizar doação de terrenos municipais a cinco empresas da cidade. Os donos e suas respectivas empresas também são requeridos na ação, distribuída à 2ª Vara da Fazenda Pública.
O promotor Renato de Lima Castro narra seis fatos que teriam configurado improbidade – basicamente seria a entrega de vantagem indevida aos ex-servidores Eduardo Reale e José Hilário, que seriam auxiliados pela enfermeira Eliana Teixeira Zamboni (que se apresentava como correta de imóveis) e por Ana Lúcia Soares, secretária de um dos empresários.
Os empresários que teriam pago propina, conforme a ação do Ministério Público, são Dorival Pereira, da Artlondre Indústria e Comércio de Artefatos; Adriano Palacio Bezerra (Ativa Displays Ind. e Com. de Arame); Albertino da Silva (Castofar Móveis); Luiz Carlos Schiavon (S.M Usinagem Garcia); e Taís Gois Cogo (Cartonagem Vision Embalagens de Papel).
Os valores pagos efetivamente vão de R$ 200 a R$ 3 mil, embora a vantagem solicitada tenha sido maior, de acordo com a ação. O MP pede a devolução dos recursos, aplicação de multa civil, condenação em danos morais, além de outras sanções da Lei de Improbidade, como suspensão dos direitos políticos e proibição de contratar com o poder público.
Os servidores, Eliana e Ana Lúcia e Dorival Pereira são réus em ação penal que tramita na 4ª Vara Criminal desde fevereiro do ano passado. No final de 2013, Reale, Eliana e Dorival chegaram a ser presos cautelarmente em razão de pedido formulado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Em agosto do ano passado, após conclusão de procedimento administrativo disciplinar que confirmou a participação Hilário e de Reale nas irregularidades, a Codel demitiu por justa causa o primeiro. Reale afastado da função desde que foi preso, está em auxílio-doença e, nesta condição, não pode ser demitido.
O advogado de Hilário, Dely Dias das Neves, disse que desconhece a nova ação, mas, quanto ao processo criminal, afirmou que está chegando ao final e, até agora, não há provas contra seu cliente. "Se antes havia indícios, agora, com a oitiva das testemunhas, ficou claro que os indícios não se confirmaram, que não há provas de participação dele."
Os advogados de Reale, Ana Lúcia e Eliana não foram localizados ontem. A reportagem também deixou recado nas empresas dos outros cinco requeridos, mas ninguém deu retorno à solicitação de entrevista. (Colaborou Edson Ferreira)

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