O ex-servidor da Sercomtel Izaltino Toppa teria dado um prejuízo de R$ 1,2 milhão à empresa pública de telefonia de Londrina. A conclusão é do delegado Ernandes Cézar Alves, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que finalizou inquérito, apontando os crimes de peculato – uso da função para obtenção de vantagem indevida – e lavagem de dinheiro, praticados por Toppa.
Segundo Alves, o ex-servidor tentou encobrir os desvios de recursos, oriundos das fraudes nas compras e vendas de cartões telefônicos, com "a compra de bens em nomes de terceiro, daí os indícios da lavagem de dinheiro". Toppa está preso desde o mês de setembro do ano passado, acusado de tentar matar o então colega de trabalho, João Carlos Verdinelli, dando-lhe um raticida conhecido como "chumbinho". Segundo as investigações, Toppa sabia que estava em andamento uma investigação interna na Sercomtel e temia que o colega pudesse denunciá-lo sobre as irregularidades no setor em que trabalhavam, responsável pela fiscalização do contrato com a empresa Solterc, que comercializava os cartões telefônicos.
Em entrevista à rádio Paiquerê AM, Alves informou que Verdinelli "também foi indiciado pela omissão na fiscalização dos contratos com a Solterc". O dono da empresa, cujo nome não foi revelado, também foi indiciado por estelionato, "porque fez várias compras de cartões telefônicos, emitindo cheques sem fundo". A FOLHA tentou falar com o delegado ontem, mas ele estava em viagem. Agora o inquérito segue para o Ministério Público (MP) do Paraná para apresentação de denúncia à Justiça.
A reportagem tentou falar com Verdinelli na Sercomtel, mas a assessoria de imprensa informou que ele não estava na empresa. O advogado de Toppa estava em viagem e até o fechamento desta edição não havia dado retorno ao pedido de entrevista feito por e-mail. O presidente da Sercomtel, Christian Schneider, foi procurado para comentar a investigação do Gaeco, mas estava em reunião de diretoria.

TENTATIVA DE HOMICÍDIO
Izaltino Toppa responde ação penal por tentativa de homicídio qualificado. A ação foi apresentada pelo Gaeco à 1ª Vara Criminal de Londrina, no ano passado e aponta que o acusado usou veneno de rato para adulterar remédios para resfriado e tentar matar o colega de trabalho João Carlos Verdinelli, que chegou a tomar o medicamento "batizado" e só não morreu porque foi socorrido por um vizinho.
Ele foi detido logo após ter denunciado, também ao Gaeco, que teria sido extorquido por cinco pessoas – que também foram presas e denunciadas pelo MP. De acordo com as investigações, o funcionário teria contratado os estelionatários para matar Verdinelli. Quando se viu chantageado por eles, o fiscal preferiu denunciar a situação e tentar, por conta própria, cometer o homicídio contra o colega de trabalho. Toppa pode ser condenado a até 30 anos de prisão.

mockup