Ex-servidor teria dado prejuízo de R$ 1,2 milhão à Sercomtel
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Edson Ferreira<br> Reportagem Local 
O ex-servidor da Sercomtel Izaltino Toppa teria dado um prejuízo de R$ 1,2 milhão à empresa pública de telefonia de Londrina. A conclusão é do delegado Ernandes Cézar Alves, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que finalizou inquérito, apontando os crimes de peculato uso da função para obtenção de vantagem indevida e lavagem de dinheiro, praticados por Toppa.
Segundo Alves, o ex-servidor tentou encobrir os desvios de recursos, oriundos das fraudes nas compras e vendas de cartões telefônicos, com "a compra de bens em nomes de terceiro, daí os indícios da lavagem de dinheiro". Toppa está preso desde o mês de setembro do ano passado, acusado de tentar matar o então colega de trabalho, João Carlos Verdinelli, dando-lhe um raticida conhecido como "chumbinho". Segundo as investigações, Toppa sabia que estava em andamento uma investigação interna na Sercomtel e temia que o colega pudesse denunciá-lo sobre as irregularidades no setor em que trabalhavam, responsável pela fiscalização do contrato com a empresa Solterc, que comercializava os cartões telefônicos.
Em entrevista à rádio Paiquerê AM, Alves informou que Verdinelli "também foi indiciado pela omissão na fiscalização dos contratos com a Solterc". O dono da empresa, cujo nome não foi revelado, também foi indiciado por estelionato, "porque fez várias compras de cartões telefônicos, emitindo cheques sem fundo". A FOLHA tentou falar com o delegado ontem, mas ele estava em viagem. Agora o inquérito segue para o Ministério Público (MP) do Paraná para apresentação de denúncia à Justiça.
A reportagem tentou falar com Verdinelli na Sercomtel, mas a assessoria de imprensa informou que ele não estava na empresa. O advogado de Toppa estava em viagem e até o fechamento desta edição não havia dado retorno ao pedido de entrevista feito por e-mail. O presidente da Sercomtel, Christian Schneider, foi procurado para comentar a investigação do Gaeco, mas estava em reunião de diretoria.
TENTATIVA DE HOMICÍDIO
Izaltino Toppa responde ação penal por tentativa de homicídio qualificado. A ação foi apresentada pelo Gaeco à 1ª Vara Criminal de Londrina, no ano passado e aponta que o acusado usou veneno de rato para adulterar remédios para resfriado e tentar matar o colega de trabalho João Carlos Verdinelli, que chegou a tomar o medicamento "batizado" e só não morreu porque foi socorrido por um vizinho.
Ele foi detido logo após ter denunciado, também ao Gaeco, que teria sido extorquido por cinco pessoas que também foram presas e denunciadas pelo MP. De acordo com as investigações, o funcionário teria contratado os estelionatários para matar Verdinelli. Quando se viu chantageado por eles, o fiscal preferiu denunciar a situação e tentar, por conta própria, cometer o homicídio contra o colega de trabalho. Toppa pode ser condenado a até 30 anos de prisão.


