Ex-servidor confirma que era 'fantasma' da AL
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quinta-feira, 02 de junho de 2011
Catarina Scortecci <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em depoimento prestado esta semana à Promotoria de Justiça de Ivaiporã (Norte), Paulo Ricardo Soares de Oliveira confirmou que, no ano de 2007, embora nomeado para o gabinete do então primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, deputado estadual Alexandre Curi (PMDB), ele nunca trabalhou lá. Num primeiro depoimento prestado à Promotoria de Justiça de Ivaiporã, Paulo negou que fosse servidor fantasma da AL. Numa nova versão, contudo, ele alega que foi coagido a dizer que não era fantasma e estaria disposto a contar qual era seu real vínculo com a AL.
O caso se tornou público em maio do ano passado, quando a FOLHA revelou que o então primeiro-secretário e também o então presidente da AL, deputado estadual Nelson Justus (DEM), mantinham pelo menos sete comissionados em seus gabinetes administrativos que moravam fora de Curitiba e não cumpriam expediente na AL. O caso foi denunciado pelo advogado e vereador de Ivaiporã Ademir Prudêncio da Silva (PT). Ivaiporã é uma das principais bases eleitorais dos parlamentares.
Embora as lotações dos sete comissionados não permitissem o trabalho fora da sede da AL, na Capital, os servidores alegaram na época que cumpriam a função de ''agente político'' do parlamentar. Os sete comissionados, um deles era o Paulo, eram aliados ou parentes de aliados de Curi e Justus.
Paulo é filho de Miguel Pereira de Oliveira, ex-funcionário da Câmara de Ivaiporã e amigo do presidente do Legislativo local, vereador Ademar Soares de Souza, aliado de Alexandre Curi. Segundo o depoimento de Paulo, ele recebia um salário de R$ 1,6 mil da AL, mas ficava apenas com R$ 300. Paulo entregou à Promotoria de Justiça uma carteira de trabalho na qual ficaria comprovado o vínculo empregatício com empresas, uma delas no Estado de Mato Grosso, durante o mesmo período em que ficou nomeado na AL.
Todos os sete nomes chegaram a ser ouvidos no ano passado pela Promotoria de Justiça, mas a Procuradoria-Geral de Justiça, que é quem está investigando os parlamentares, determinou que novos depoimentos fossem colhidos em função de contradições dos depoentes. Outras quatro pessoas ainda devem ser ouvidas nos próximos dias.
A Reportagem não conseguiu contato ontem com o presidente da Câmara de Ivaiporã e nem com Alexandre Curi. O advogado de Curi, Luiz Fernando Nacli Bastos, também foi procurado, sem sucesso.


