O ex-funcionário da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) Edson Alves da Cruz, confirmou ontem, durante interrogatório na 4ª Vara Criminal de Londrina, que os recursos desviados da AMA e CMTU (antiga Comurb) foram destinados para a campanha eleitoral do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido). Cruz era o responsável pela comissão de licitações da AMA. Segundo ele, as licitações usadas para justificar o desvio de R$ 1,7 milhão da prefeitura eram inexistentes. ‘‘Foram desvios de recursos públicos, não houve licitação nenhuma’’, resumiu.
O interrogatório foi mais uma etapa da ação criminal proposta pelo Ministério Público (MP) e que resultou, no início do mês, na prisão de Belinati. O prefeito cassado foi libertado após seis dias graças a uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça (TJ). Em 1998, Belinati não foi candidato, porém trabalhou abertamente para a campanha a deputado estadual de seu filho, Antonio Carlos Belinati (PSL), que foi eleito. O ex-prefeito também esteve envolvido na campanha para a reeleição do governador Jaime Lerner (PFL) e da vice, Emília Belinati (PTB).
Segundo o promotor da 4ª Criminal, Sérgio Correa de Siqueira, Cruz confirmou o que havia contado anteriormente ao MP e acrescentou novas informações envolvendo outras pessoas. ‘‘Ele não quer abrir o que falou sobre outras pessoas porque está com medo’’, explicou.
Segundo o promotor, Cruz contou que o dinheiro levantado com as licitações fraudulentas teria sido usado para pagar o empréstimo do ex-secretário de Fazenda Ismael Mologni e do ex-presidente da Sercomtel Rubens Pavan junto ao Banestado (R$ 500 mil cada). Na avaliação de Siqueira, o empréstimo está relacionado à dívida de campanha, citada por Cruz. ‘‘Essa dívida seria do ex-prefeito Antonio Belinati.’’
Cruz preferiu não falar sobre o interrogatório. ‘‘Não mudou nada, tudo o que havia falado ao Ministério Público eu repeti, mas é perigoso falar fora dos autos’’, resumiu. Ele também reclamou que foi vítima de uma armação e acabou sendo despedido da prefeitura. ‘‘Forjaram um abandono de emprego e fui demitido.’’ O ex-funcionário disse ainda que está melhor por ter contado o que sabia. ‘‘Gostaria de ter feito isso antes.’’
Ontem à tarde, o juiz da 4ª Criminal também interrogou os empresários Antonio Alcântara Filho (da empresa Mercoluz) e Carlos Murari (da Eletrojan). Segundo o MP, eles teriam ajudado a ‘‘lavar’’ R$ 250 mil desviados da prefeitura, ao trocar um cheque em nome de Arion Cruz Santos, ex-representante da Esteio Aerolevantamento, de Curitiba. A troca teria sido feita a pedido do ex-diretor-financeiro da Comurb Eduardo Alonso de Oliveira.
O advogado Adolfo Gois disse que Alcântara e Murari foram denunciados por favorecer o peculato, mas não tiveram culpa. ‘‘A conduta de trocar um cheque a pedido de Eduardo Alonso não configura crime nenhum’’, rebateu. Segundo Gois, Murari e Alcântara trocaram o cheque pela amizade que tinham com Alonso e que a operação ocorreu em janeiro de 99, quando não havia rumores sobre as irregularidades na prefeitura.

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