O senador Osmar Dias (PSDB-PR) denunciou ontem no plenário do Senado ter sofrido tentativa de suborno do ex-senador João França, de Roraima (o último partido ao qual foi filiado era o PPB), para que votasse contra a proposta de extinção dos juízes classistas na Justiça do Trabalho. A emenda que acaba com os classistas seria votada anteontem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas foi adiada.
Segundo o senador, França o procurou na terça-feira em seu gabinete, mas o tucano não atendeu o ex-parlamentar. Dias disse que a conversa entre eles se deu à tarde, no ‘‘cafezinho’’ do Senado. ‘‘Ele disse que estava falando em nome dos classistas e que ia fazer uma sugestão: se eu votasse a favor poderia ser compensado. Uma parte agora e outra depois. Cortei a proposta na hora’’. Dias conta que pediu para o ex-senador se retirar. ‘‘Tenho que respeitar o decoro parlamentar. Senão dava uma boa surra nele’’, relatou.
Ao contrário do irmão, o também senador Álvaro Dias, Osmar tem fama de ser ‘‘pavio curto’’. Quando foi secretário de Estado da Agricultura, no governo Requião, tirou gente a pontapés de seu gabinete. ‘‘O episódio ficou famoso, mas não quero mais falar sobre isso’’.
Segundo o tucano, França não chegou a falar em valores, mas, segundo rumores que circulavam entre os senadores, a oferta seria de R$ 50 mil. Dias levou o caso ao presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que determinou abertura de sindicância pela corregedoria do Senado.
Osmar Dias pediu a ACM que, em resposta à agressão, a CCJ vote, em regime de urgência, a extinção dos classistas. ‘‘Ele prometeu que, se a CCJ não votar na próxima quarta, a proposta será votada direto no plenário’’. O senador disse que já era favorável ao fim dos classistas e agora é ‘‘cem vezes a favor por questão de honra’’.
Ele disse estranhar a demora na votação da proposta de emenda constitucional que extingue a figura do classista. A emenda, do ex-senador Gilberto Miranda (PFL-AM), já tramita há quatro anos no Senado. Osmar Dias disse que, na terça-feira, João França passou o dia conversando com outros senadores. ‘‘Vi alguns muito entusiasmados com o adiamento da votação na CCJ’’, disse Dias.
Osmar Dias disse que não iria propor processo contra França na Justiça,
por não ter provas. ‘‘Seria minha palavra contra a dele. Os juízes
classistas é que deveriam processá-lo, se não o autorizaram a fazer a
oferta’’, disse o tucano.

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