Curitiba e São Paulo - Integrantes da Lava Jato definiram como uma "corrupção ao quadrado" a ação do ex-senador Gim Argello (PTB-DF), preso preventivamente ontem na 28ª fase da Operação Lava Jato, de receber propina de empreiteiras investigadas por desvio de recursos em contratos com a Petrobras para obstruir a comissão no Congresso que investigava justamente a corrupção na estatal. "É uma corrupção ao quadrado, uma corrupção qualificada", disse o procurador Athayde Ribeiro da Costa. "Foi de um inusitado atrevimento, porque foi uma corrupção para encobrir corrupção realizada mesmo depois da deflagração da operação Lava Jato", completou ele sobre o ex-senador Jorge Afonso Argello, conhecido como Gim Argello.

O delator Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, contou em delação como negociou o pagamento de propina com Argello para se livrar da convocação para depor na CPI mista da Petrobras, na qual o ex-senador era vice-presidente. A pedido de Argello, foram R$ 5 milhões pagos pela UTC a quatro partidos que o apoiaram nas eleições de 2014 para o Senado, todos no Distrito Federal: DEM, PR, PMN e PRTB. Outros R$ 350 mil foram depositados pela OAS na conta de uma paróquia em Taguatinga (GO) por indicação do ex-senador, que era frequentador desta igreja.

Para o Ministério Público Federal, os pagamentos pelas empreiteiras investigadas ocorridos entre julho e outubro de 2014, já com a Lava Jato em curso, "mostram a gravidade e audácia" do senador em cometer os crimes. Além da prisão preventiva do ex-senador, também foram presos de forma temporária Paulo César Roxo Ramos e Valério Neves Campos, dois assessores ligados ao parlamentar que, pelas investigações, ajudaram a intermediar os pagamentos. Também foram conduzidos coercitivamente à delegacia Jorge Argello Junior, filho do ex-parlamentar e quatro executivos e funcionários da empreiteira OAS.


VITÓRIA DE PIRRO
A nova fase da Lava Jato, Vitória de Pirro, alude à noção clássica de triunfos militares que acabam por exaurir os recursos e derrotar os vencedores. O objeto da operação é, segundo a PF, referência à suposta compra de proteção por parte de empreiteiras na CPI da Petrobras de 2014, tornada inútil com a Lava Jato. O título surge na semana em que o governo joga tudo para evitar a abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff pela Câmara, oferecendo cargos e verbas a aliados. O nome vem de Pirro de Épiro (319/318 a.C.-272 a.C), rei grego que dedicou sua carreira a embates sangrentos com Roma - com o desfecho conhecido. Segundo a crônica clássica de Plutarco, durante uma de suas campanhas no sul da Itália, Pirro comentou com quem lhe congratulou pelo sucesso em Ásculo (279 a.C): "Outra vitória como esta vai me destruir para sempre".

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