Imagem ilustrativa da imagem Ex-secretários investigados na ZR3 prestam depoimento no Gaeco
| Foto: Ricardo Chicarelli



Os promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado) colheram na tarde desta quinta-feira (1º) os depoimentos de empresários e dos ex-secretários municipais Ignes Dequech e Cleuber Moraes de Brito.

Os dois eram membros do CMC (Conselho Municipal de Cidades) e foram afastados após o início da operação ZR3, que investiga a cobrança de propina para alteração de zoneamentos da cidade com aprovação de projetos na Câmara Municipal de Londrina.

Dequech foi presidente do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) até 2016 durante a gestão do ex-prefeito Alexandre Kireeff. Já Brito – que também é professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina), ocupou o cargo de secretário do Ambiente durante aproximadamente um ano.

A ex-presidente do Ippul preferiu não falar com a imprensa. O advogado de defesa dela, Marcos Ticianelli, afirmou que Dequech tinha relações "lícitas e profissionais" com alguns dos envolvidos na investigação.

"Ela desconhece qualquer atividade ilícita nos trâmites do seu trabalho e todos os esclarecimentos serão dados durante o inquérito e nos procedimentos oficiais. Ela não tem responsabilidade qualquer sobre as supostas acusações. Estamos ficando a par de toda a situação ainda e os esclarecimentos técnicos serão feitos dentro do processo", declarou.

Já o ex-secretário da Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) disse que não tinha relacionamentos com os vereadores, nem com a grande maioria dos investigados. "Meu objetivo é desconstruir essa ideia que eu me beneficiei ou participo de alguma organização criminosa. Participar de uma suposta organização tem que ter benefícios. Nunca soube e nunca participei. Com a grande maioria das pessoas investigadas, eu nem tenho relacionamento", comentou.

Brito ainda revelou que participou do processo de apenas um empreendimento investigados. "Me foi dada a oportunidade de não falar, mas eu não tenho nenhum problema em esclarecer e explicar detalhadamente a minha participação. Estou tranquilo, não me furto de falar ou de fazer as minhas declarações."

Além disso, o professor também garantiu isenção quando atuava como membro do CMC. "As perguntas foram mais sobre como funcionava o Conselho (Municipal de Cidades). Eu já tinha afirmado, anteriormente, que esta denúncia não procede. Eu sou um técnico de origem de carreira e minha participação é na elaboração de projetos técnicos, não participo de tramitação. No Conselho, eu sempre preservei pela isenção. Nunca votei em pautas envolvendo EIVs (Estudo de Impacto de Vizinhança) em nenhum projeto que minha empresa já tivesse feito."

Em entrevista coletiva, o promotor do Gaeco Leandro Antunes revelou que o irmão de um empresário investigado disse que presenciou um dos fatos apurados. Questionado se seria um pagamento de propina, o promotor preferiu não entrar em detalhes para não atrapalhar o andamento da investigação e pelo sigilo do processo. Ele adiantou que espera encerrar as oitivas dos investigados nesta sexta-feira (2), quando os vereadores Rony Alves (PTB) e Mário Takahashi (PV) são aguardados na sede do Ministério Público para prestar esclarecimentos. "É uma sequência do trabalho de hoje. Nossa ideia é iniciar no começo da tarde desta sexta e se for necessário entrar no começo da noite", adiantou o promotor, que ainda informou que os documentos colhidos na busca e apreensão estão sendo analisados para conclusão do processo.

Sobre o depoimento dos ex-secretários, Antunes disse que Brito e Dequech optaram por prestar os esclarecimentos pedidos, mas não revelou o conteúdo dos depoimentos devido ao sigilo. (Colaborou Fábio Galiotto/Grupo Folha)

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