Ex-secretários especiais serão abrigados no TC
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quarta-feira, 08 de novembro de 2000
De Curitiba 
Dos quatro secretários especiais do governador Jaime Lerner, dois deles podem ficar tranquilos porque já estão com futuro garantido pelos próximos anos. Gerson Guellmann e Caio Soares vão ser indicados para o cargo de controladores do Tribunal de Contas do Paraná. Conforme a Folha adiantou no sábado, o governador já começou um processo na Assembléia Legislativa para acelerar a regulamentação da lei que criou, no final do ano passado, sete cargos de controladores do TC. A decisão é mais uma medida de Lerner para acomodar seus aliados políticos em cargos estratégicos na administração pública estadual.
A criação do cargo de controlador é bastante polêmica, já que é vista dentro do Tribunal de Contas como uma forma de burlar a realização de concurso público para preencher o cargo. A função é semelhante a dos auditores, que são escolhidos através da seleção, determinada pela Constituição Federal. O conselheiro aposentado do TC, João Féder, por exemplo, classifica a criação do cargo de controlador como uma aberração. Em onze estados brasileiros o Ministério Público conseguiu barrar a criação desses cargos.
O salário médio de um controlador é de R$ 6 mil ao mês. As sete vagas a serem preeenchidas obedecem praticamente o mesmo trâmite da indicação dos conselheiros do TC. A Assembléia Legislativa indicaria cinco nomes, e o governo do estado os outros dois: um deles, de livre escolha, e outro mediante um acordo entre auditores e procuradores do Ministério Público junto ao TC. Na prática, entretanto, Lerner conta a seu favor a grande influência que exerce sobre os deputados estaduais, que ficou evidente na indicação do conselheiro Heinz Herwig, por exemplo.
Ou seja, o governador poderá indicar sete pessoas de sua extrema confiança para ocupar os cargos. A criação dos cargos de controladores no TC do Paraná só foi possível graças a uma articulação entre o líder do governo, deputado Valdir Rossoni (PTB), com os deputados de oposição Orlando Pessuti (PMDB) e Caíto Quintana (PMDB). A oposição também estava de olho nos novos cargos políticos. (R.B.N. e L.D.)


