Curitiba - Dois ex-secretários de Estado do governo Jaime Lerner (PSB), um ex-advogado e um ex-contador da Companhia Paranaense de Energia (Copel) foram presos na manhã de ontem, em Curitiba, sob a acusação peculato (desvio de dinheiro público), improbidade administrativa e formação de quadrilha por participarem de operações de compensação de créditos tributários, que teriam sido irregulares. Os mandados de prisão foram expedidos pelo juiz da Vara de Inquéritos Policiais (antiga Central de Inquéritos), Marcelo Ferreira, no final da tarde de segunda-feira, atendendo pedido da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, órgão vinculado ao Ministério Público (MP) estadual. A prisão duraou 14 horas. O desembargador do Tribunal de Justiça, Ruy Fernando de Oliveira, concedeu habeas corpus às 20h30, alegando que todas as prisões efetuadas ontem sob o argumento de garantir a ordem pública, não se justificavam. Ainda ontem, o MP protocolou denúncia criminal e ação civil pública contra os supostos envolvidos.
O ex-secretário de Governo José Cid Campêlo Filho, o ex-secretário da Fazenda e ex-presidente da Copel Ingo Hubert, o ex-contador da Copel César Antônio Bordin, o ex-advogado e assessor da presidência da Copel Sérgio Luiz Molinari, foram presos no início da manhã, por volta das 6h30, e levados ao Centro de Operações Policiais Especiais (Cope).
Ao todo, dez pessoas tiveram mandados de prisão expedidos pela Justiça no Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. A auditora do Tribunal de Contas (TC) do Paraná, Desirée Fregonese, que era assessora do conselheiro do TC, Heinz Herwig (ex-secretário de Transportes do governo Lerner), teria fugido de sua casa minutos antes da chegada da polícia. Ela teria recebido uma ligação telefônica avisando de sua prisão.
O dono da Empresa Brasileira de Consultoria (Embracon) uma das empresas envolvidas na operação , Maurício Roberto da Silva, também não foi localizado pela polícia. ''As duas pessoas que estão foragidos deixaram pistas e estamos seguindo todas elas. Tenho elementos suficientes para acreditar que eles ainda estão em Curitiba. Vamos prendê-los nas próximas horas'', prometia no início da noite de ontem o delegado Marcus Michelloto, titular do Cope e coordenador das prisões em Curitiba.
Por volta do meio-dia, Rogério Figueiredo Vieira, assessor do bispo Rodrigues, chegou ao Cope, trazido do Rio de Janeiro. Vieira é ex-funcionário do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Rio de Janeiro e proprietário da Mix Trader Informática, empresa que recebeu parte dos recursos da Embracon. Também foram presos ontem o presidente da Associação dos Diplomados da Faculdade de Economia e Administração (Adifea) da Universidade de São Paulo (USP), José Guilherme Haussen e o diretor da Adifea, Hararld Bernhard. Os dois chegaram em Curitiba ainda no final da manhã, após serem presos em São Paulo. À tarde chegou em Curitiba o último dos presos, vindo de Porto Alegre, Antonio Sampaio Menezes, que é consultor e prestou serviços para a Embracon. Ele não quis falar com a imprensa. Evitou fotógrafos e entrou por uma porta lateral do Cope.
De acordo com o que foi apurado pela CPI da Copel, a operação envolveu uma compensação entre o valor devido pela Copel ao governo do Estado, referente ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pela compra de equipamentos, e os créditos que estatal tinha a receber do governo relativos a contas de enegia elétrica. A operação, que aconteceu em setembro de 2002, envolvia cerca de R$ 160 milhões (valores corrigidos).

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