Ex-secretário teria usado R$ 400 mil em reforma de imóveis
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sexta-feira, 20 de abril de 2001
De Maringá 
As investigações do Ministério Público (MP) sobre os desvios de recursos da Prefeitura de Maringá, durante a administração do ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido), mostram o desperdício de dinheiro público. A promotoria conseguiu levantar que neste período o ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi gastou mais de R$ 600 mil apenas na reforma de três imóveis. Pelo menos R$ 486 mil em valores corrigidos teriam saído dos cofres da prefeitura.
Segundo o MP, Paolicchi contratou o engenheiro João Edmundo Bolneto, de Florianópolis, para reformar o apartamento que possui em Balneário Camboriú (SC). De março a dezembro de 1999, o ex-secretário teria gasto R$ 400 mil na reforma do apartamento, que tem 446 metros quadrados e está avaliado em R$ 500 mil. O mesmo profissional estava executando a reforma do apartamento de Paolicchi em Maringá, no Edifício Maison Royale, onde ele teria aplicado mais de R$ 200 mil.
A reforma não foi concluída, segundo o promotor José Aparecido da Cruz, porque o esquema do ex-secretário começou a ser investigado durante o trabalho. A empresa Plan Art Paisagismo, que fez a reforma dos jardins da Cháraca San Marino, que Paolicchi tem em Maringá, levou R$ 60 mil da prefeitura pelo serviço. O MP identificou ainda a compra de uma peça para o jato do ex-secretário, quando novamente ele usou dinheiro público. O voice recorder (caixa preta) do Lear Jet custou R$ 90 mil, cerca de R$ 56 mil tirados dos cofres públicos, segundo o MP.
O contador das fazendas de Paolicchi em Três Lagoas (MS), José Aparecido Dantas, também teria recebido dinheiro público, exatos R$ 55.452,00 em valores atualizados. Cruz contou que a Fazenda San Marino, em Três Lagoas, é cinematográfica. A pista de pouso da propriedade, avalia o promotor, é melhor que a do atual Aeroporto de Maringá. Paolicchi já possuía a propriedade no início da administração investigada, em 1997.
Gianoto também não ficou atrás. A empresa Metal Forte, de Londrina, que fez as fundações para a construção dos silos na fazenda de Gianoto, ficou com R$ 110 mil em valores corrigidos. O promotor Cruz revelou que os pagamentos eram feitos em nome da mãe do proprietário da Metal Forte, Wilson de Oliveira Pereira. A Fonseca & Romagnoli, que construiu os silos, teria recebido R$ 210 mil pela obra, cerca de R$ 32 mil da prefeitura.
De acordo com o MP, Gianoto comprou também terras, equipamentos, insumos agrícolas, veículos e fez o transporte de mercadorias e da produção usando recursos públicos. Durante os quatro anos da administração, o ex-prefeito também trocou duas vezes de avião, sempre sonegando o valor verdadeiro da transação. O último, um Cheyenne para seis passageiros, avaliado em R$ 700 mil, na declaração de compra valia R$ 120 mil.
O advogado Antônio Mansano Neto, que atua na defesa de Gianoto, disse à Folha que a nova ação não traz novidades. Vamos atuar na mesma linha de defesa, afirmou. Ele lembrou ainda que Gianoto já se propôs a devolver o que recebeu irregularmente. (M.Z.)


