Ex-secretário teria sugerido recuo de 2,5 metros
A exemplo do que já havia afirmado publicamente o empresário Rachid Zabian, o arquiteto Henrique Rainato, responsável pelo projeto do City Shopping, disse ontem, em depoimento ao MP, que o ex-secretário de Obras Fernando Bergamasco, engenheiro concursado da prefeitura de Londrina, havia afirmado que o recuo poderia ser de 2,5 metros. "O Dr. Fernando, numa consulta, disse que diante das incongruências da legislação ainda não havia um critério e que o recuo poderia ser de 2,5 metros", disse o advogado de Rainato, Mauro Viotto. A "consulta" teria ocorrido em uma reunião na prefeitura, na qual estariam presentes Rainato, Zabian e Bergamasco. O engenheiro, em depoimento ao MP, negou que tenha conversado, ainda que informalmente, com o dono do empreendimento
A promotora Leila Schimiti também ouviu ontem três engenheiros da Secretaria de Obras que analisaram, em algum momento da tramitação, o procedimento que envolve o City Shopping. "Temos uma surpresa a cada depoimento. São informações desencontradas. Ninguém sabe dar informações precisas ou cronologicamente acertadas", avaliou a promotora, explicando que decisões importantes em relação à obra como notificação, autuação ou embargo foram ignoradas em cada etapa de análise do empreendimento. "Não há interligação ou comunicação nos diversos setores em que ele passou."
Diante deste caos, Leila adiantou que já é possível verificar que houve "omissão na fiscalização, na tomada de medidas efetivas depois do embargo, já que as obras deveriam ter sido paralisadas desde o momento em que se constatou a inexistência de qualquer autorização legal para a construção". O City Shopping, inaugurado em outubro de 2012, funciona até hoje sem alvará e sem Habite-se. (L.C.)





