Ex-secretário tem empresas de aviação
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sexta-feira, 06 de outubro de 2000
Patrícia Zanin De Londrina 
O ex-secretário da Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, acusado de desviar R$ 2,6 milhões da prefeitura, tem quatro empresas registradas em seu nome na Junta Comercial do Paraná, entre elas duas do setor de aviação. Ele está com todos os bens indisponíveis por determinação judicial. Paolicchi viajou na quarta-feira à noite para a Itália, assim que soube da existência da ação civil pública por improbidade, pedindo que ele devolva o dinheiro ao município. Com possível cidadania italiana, ele estaria em Roma ou Milão.
A descoberta das empresas foi feita pela Folha na Junta Comercial do Paraná, depois que o Ministério Público (MP) revelou, na ação contra Paolicchi, a ligação do ex-secretário com a aviação. No documento, o MP mostra que ele é dono de uma aeronave que valeria US$ 2,6 milhões. O MP indica ainda que Paolicchi tinha um hangar no Aeroporto de Maringá. Com o nome das empresas, a reportagem procurou o MP e soube que pelo menos duas delas não estariam citadas na declaração de bens do ex-secretário a empresa Luis Antônio Paolicchi, de transporte aéreo, e a Salles Táxi Aéreo.
Pelos registros da Junta, a Luis Antônio Paolicchi funciona na Rua Neo Alves Martins, 3.176, em Maringá. O endereço é de um centro médico. Já os dados da Salles não estão cadastrados. As outras empresas são Mineradora de Água Rainha Ltda., de Iguaraçu (34 km ao norte de Maringá) e um posto de gasolina em Campo Mourão. Ele deixou a sociedade no posto em 98.
O patrimônio do ex-secretário inclui ainda 10 fazendas em seu nome, com o total de 6.956 hectares oito propriedades em Três Lagoas (MS) e duas em Diamantina (MT), um apartamento em Balneário Camboriú e quatro veículos. Ontem, a promotoria revelou que Paolicchi tentou vender as fazendas de Três Lagoas por R$ 1,2 milhão, mas a decisão judicial sobre a indisponibilidade aconteceu momentos antes, na última quarta-feira, pelo juiz da 1ª Vara Cível de Maringá, Mário Seto Takeguma, a pedido do promotor José Aparecido da Cruz. A tentativa da venda aconteceu na quinta-feira, segundo o MP.
As oito propriedades em Três Lagoas somam 2.700 hectares Fazenda San Marino 1, Fazenda San Marino 2, Toca da Onça, Santa Laura Vicunha, San Martin, Briúza, Prata e Paiaguás. Em Diamantina, somam 4.256 hectares 2.756 na Fazenda Rio Brilhante e outros 2,5 mil na Fazenda Behlla. Uma das fazendas de Paolicchi tem pista para aviões. Ele morava no prédio mais caro de Maringá, o Maison Royale, com mais de 450 m2.
A indisponibilidade atinge ainda os quatro veículos de Paolicchi uma caminhonete Ford F-1000 ano 98, um jipe Cherokee 99, uma Ford F-4000 ano 96 e uma Saveiro 97. Foram incluídos também um apartamento de 446 m2 em Balneário Camboriú (SC) e as 35 mil cotas na Mineradora Rainha, de R$ 35 mil. A ação por improbidade também atinge o advogado Waldemir Ronaldo Corrêa, assessor de Paolicchi, o atual secretário da Fazenda da prefeitura, Jorge Aparecido Sossai e a servidora Rosimeire Castelhano Barbosa.
O desvio de R$ 2,6 milhões teria ocorrido entre o final de 98 e meados de 99. No total, 46 cheques da CEF, de R$ 3,9 mil a R$ 162 mil, foram depositados na conta de Corrêa no Banco do Brasil. O dinheiro foi repassado em 116 cheques para a conta de Paolicchi, no mesmo banco. Ele foi titular da pasta da Fazenda em Maringá de 97 até julho deste ano, com salário bruto de R$ 4 mil.


