Ex-secretário sustenta que operação foi legal
Curitiba Ingo Hubert divulgou ontem de manhã, antes de ter a prisão preventiva decretada, uma nota oficial se defendendo das acusações do MP. Na nota, ele diz que ''jamais travou conhecimento ou teve contato com as pessoas terceiras citadas pela imprensa''. Essa é uma referência à presença do doleiro Alberto Youssef na operação.
Hubert sustenta que a compra dos créditos da Olvepar, no valor de R$ 45 milhões, foi legal e vantajosa para os cofres públicos. ''Na operação em tela, onde a Copel comprou R$ 39,6 milhões compensando R$ 45 milhões, teve um rendimento de cerca de 19% no mês de dezembro. A Copel, portanto, teve ganho expressivo nesta aplicação financeira e o Estado, como o seu maior acionista, também.
Segundo Hubert, a Olvepar, que teve falência decretada em agosto de 2002, acumulou os créditos entre 1989 e 1996, ''conforme já atestado em muitas sentenças judiciais por todo o País, envolvendo todas as instâncias, inclusive a Justiça Federal''. A nota também afirma que a Olvepar pagou indevidamente impostos, já que preenchia todos os requisitos da Lei Complementar nº 65, de 15 de abril de 1995, e por isso estaria isenta.
A nota afirma ainda que o processo da Olvepar começou a ser analisado do ponto de vista jurídico e administrativo no início de 2002. Mas essa afirmação contraria outras informações obtidas pela reportagem (ver matéria nesta página). Segundo Hubert, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) deu dois pareceres no ano passado, autorizando a operação: um em 2 de maio e outro em 2 de dezembro. No parecer, assinado pelo conselheiro Heinz Herwig, consta que ''a documentação encartada (pela Olvepar) foi examinada por amostragem, tendo sido possível verificar a veracidade das informações nelas contidas''.
''A presença de funcionário da Copel no desconto de cheques em agência do Banco do Brasil não era usual nem do conhecimento da administração da empresa'', afirmou Hubert, ''por outro lado também não significa necessariamente conivência com qualquer ato lesivo aos interesses da mesma, nem em conduta ilícita''.
A defesa de Hubert também vai sustentar que a Receita Estadual emitiu um parecer favorável à operação, e que a massa falida da Olvepar assinou procurações para que Pierruccini negociasse os créditos da empresa com a Copel. O que também não bate com a investigação do MP.
A reportagem foi até a casa de Hubert em Curitiba, no Jardim Schaffer, ontem, mas a mesma estava toda fechada e ninguém atendeu. O circuito de televisão e de segurança, que tem uma câmera ao lado do interfone, estava funcionando. Hubert trabalhou como funcionário da Copel no início da década de 70, mas se desligou logo depois. Retornou à estatal como diretor-presidente em 1995, na gestão do então governador Jaime Lerner. A partir de 1998, com a saída do então secretário de Estado da Fazenda, Giovani Gionédis, Hubert passou a acumular as duas funções. (R.F.)





