O ex-secretário da Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, acusado de ter dado um rombo de R$ 2,6 milhões nos cofres públicos, dizia-se membro ‘‘influente’’ do Tribunal de Contas do Paraná (TC) para conseguir contratos com prefeituras na área contábil. A informação foi dada ontem pelo próprio TC, por meio de sua assessoria de imprensa. ‘‘Ele se passava por membro influente do Tribunal para conseguir trabalho de consultoria’’, informou o tribunal.
O TC negou que ele tivesse qualquer vínculo empregatício com a instituição, mas admitiu que Paolicchi era figura conhecida de vários funcionários por ‘‘atender’’ a instituição em eventos promovidos pelo tribunal no interior. ‘‘Nos seminários na região de Maringá, ele se prontificava a indicar locais para a realização das palestras e para almoço’’, explicou a assessoria. O TC acredita que, talvez por esse fato, o ex-secretário da Fazenda tenha se ‘‘aproveitado da situação e utilizado o nome do tribunal’’.
Não há um levantamento oficial, mas informações extra-oficiais apontam que pode chegar a 40 o número de prefeituras e Câmaras atendidas por Paolicchi, que é contabilista.
As relações do ex-secretário da Fazenda de Maringá com funcionários do TC estão sendo diligenciadas pelo Ministério Público (MP), que pretende aprofundar as investigações (ler texto ao lado).
Há duas semanas, o MP de Maringá ingressou com ação civil pública contra Paolicchi por improbidade administrativa. Ele é acusado de desviar R$ 2,6 milhões da prefeitura para sua conta pessoal. Segundo investigações do promotor José Aparecido da Cruz, autor da ação, o esquema envolveu ainda o funcionário licenciado da prefeitura, Waldemir Ronaldo Corrêa, que repassava cheques para sua própria conta e depois depositava na conta de Paolicchi, além do secretário afastado da Fazenda, Jorge Aparecido Sossai, e da servidora pública municipal Rosimeire Castelhano Barbosa.
O desvio teria ocorrido num período de quatro meses – no final de 98 até o primeiro trimestre de 99. No total, 46 cheques da Caixa Econômica Federal, cujos valores variavam de R$ 3,9 mil a R$ 162 mil, foram depositados na conta de Corrêa e depois repassados em 116 cheques para o ex-secretário, em conta no mesmo banco.
Na ação, o promotor constatou que ‘‘com o que Paolicchi ganhava, não podia ter amealhado o significativo patrimônio que tem’’. Como secretário, ele recebia R$ 4 mil brutos por mês. O valor total de seu patrimônio não foi divulgado, mas cálculos preliminares sobre os bens do ex-secretário que constam na ação indicam que pode chegar a R$ 15 milhões, por envolver 10 fazendas no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, apartamento em Balneário Camboriú (SC), carros de luxo e até um avião Lear Jet.
Além da ação civil, Paolicchi é alvo de uma ação criminal, proposta na semana passada pelo procurador da República de Maringá, Natalício Claro da Silva. O ex-secretário da Fazenda é acusado de sonegação fiscal, peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A procuradoria pede à Justiça Federal que ele pague R$ 1,8 milhão à Receita Federal referente à sonegação de impostos, multa, juros e correção monetária.