Curitiba - O ex-secretário de Governo de Jaime Lerner (PSB) José Cid Campêlo Filho entrou com uma ação criminal contra o promotor José Geraldo Gonçalves e o juiz Marcelo Ferreira. Os dois foram os responsáveis diretos pela prisão preventiva de Campêlo Filho e de outras nove pessoas acusadas de participar na celebração de um contrato ilegal entre a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e a Óleos Vegetais do Paraná (Olvepar), envolvendo créditos tributários. O pedido de prisão preventiva foi protocolado por Gonçalves no dia 5 de abril deste ano e concedido na mesma data pelo juiz, que na época respondia pela Vara de Inquéritos Policiais.
Segundo o ex-secretário, o decreto de prisão expedido por Ferreira na verdade teria sido redigido pela mesma pessoa que redigiu o pedido de prisão preventiva. ''É humanamente impossível que o juiz tenha recebido um processo de 5 mil páginas, analisado o conteúdo e escrito um decreto de 60 páginas em apenas uma tarde. Ele apenas assinou o mandado que já havia sido elaborado pelo Ministério Público'', afirmou Campêlo Filho.
O ex-secretário obteve um mandado de segurança que lhe permitiu acesso a informações sobre a quantidade de processos que haviam chegado à mesa de Ferreira no dia 5 de abril. ''Ele recebeu o pedido de prisão às 11h30, hora que a Vara de Inquéritos Policiais já estava em recesso para almoço. Provavelmente, o juiz deve ter recebido depois das 14 horas. Além disso, na mesma data outros 54 processos foram entregues a ele, mostrando que não havia tempo para ele redigir as 60 páginas que compõem o decreto de prisão'', comentou.
Campêlo Filho apresentou ontem um laudo pericial do filólogo Carlos Alberto Sanches, que aponta que tanto o pedido como o decreto de prisão foram escritos pela mesma pessoa. O filólogo apontou que erros gramaticais a falta de clareza no texto e o uso errôneo de pronomes e pontuação eram semelhantes nas duas redações. ''As peças são por demais semelhantes, especialmente nos aspectos de mau uso da linguagem'', destacou Sanches.
Para Campêlo Filho, Ferreira e Gonçalves fazem parte de uma armação com interesse político. ''Desde o início do atual governo, tem se feito de tudo para denegrir a imagem do governo Jaime Lerner'', afirmou. Os nomes dos coordenadores dessa ação política serão apurados durante a investigação dessa denúncia'', acredita.
Além da denúncia por falsidade ideológica, denunciação caluniosa e abuso de poder, Campêlo Filho também pediu a abertura de processos adminitrativos contra Ferreira e Gonçalves respectivamente na Corregedoria do Tribunal de Justiça (TJ) e do Ministério Público (MP). A reportagem da Folha tentou contato com o juiz e o promotor, mas não obteve retorno.
Tanto a assessoria da corregedoria do TJ como a do MP anunciaram ontem que os representantes dos dois órgãos só iriam se manifestar sobre o caso ao término do processo administrativo. A assessoria do MP divulgou ontem uma nota oficical, afirmando que ''... o MP vem agindo de forma responsável e independente em relação aos fatos envolvendo supostas irregularidades na Copel. O caso Adifea não é o primeiro a ser denunciado pela instituição e há outras investigações em trâmite, sendo que os promotores de Justiça que trabalharam nesses casos sempre atuaram de forma íntegra, como se espera de membros da instituição''.

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