Ex-secretário pode ter negociado contratos da prefeitura
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quinta-feira, 21 de junho de 2012
Loriane Comeli <br> <br> Reportagem Local 
Mesmo afastado do cargo de secretário de Governo desde 3 de abril para coordenar a campanha do PDT em Londrina, um dos homens fortes do governo do prefeito Barbosa Neto (PDT), Marco Cito - hoje preso preso preventivamente sob a acusação de formação de quadrilha e corrupção na suposta compra de apoio de vereadores -, estaria negociando contratos oficiais do município no prédio da prefeitura.
No dia 24 de abril - data em que foi preso em flagrante - ele teria mantido uma reunião com um advogado do banco BMG, intermediada pelo gestor do Londrina Esporte Clube (LEC) Sérgio Malucelli. O encontro foi confirmado ontem pelo empresário em depoimento ao delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore.
Malucelli estava na antessala do gabinete do prefeito no dia da prisão de Cito, segundo relatou o empresário Ludovico Bonato também preso naquela data pelo mesmo motivo. Na data da reunião entre Cito, Malucelli e o advogado do BMG, o prefeito Barbosa Neto não estaria na cidade, informou o delegado Alan Flore. ''O empresário Malucelli disse que estava na prefeitura naquele dia para acompanhar um advogado do BMG para tratar de assuntos relacionados com empréstimo consignado de servidores'', relatou Flore. A reunião foi marcada a pedido da vice-presidência do BMG, disse Malucelli ao delegado. O BMG é patrocinador de camisa do LEC desde o início desta temporada.
Documentos enviados pela prefeitura ao Ministério Público revelam que o BMG mantém um convênio com o município desde 11 de abril de 2011. O convênio permite o fornecimento do cartão de crédito do BMG aos servidores, que funcionaria como um empréstimo consignado, já que as compras parceladas são descontadas em folha de pagamento.
O município tem um contrato de exclusividade com a Caixa Econômica Federal para movimentações financeiras e pagamento de funcionários. Para isso, a Caixa deve repassar mais de R$ 13 milhões para a Prefeitura de Londrina. Em julho do ano passado, uma liminar concedida em favor do BMG pelo juiz da 1 Vara da Fazenda Pública, Marcos José Vieira, rompeu a exclusividade da Caixa. Os promotores não comentaram sobre o procedimento em que obtiveram os dados sobre os convênios com bancos para empréstimos consignados. O advogado de Marco Cito, João Gomes, não foi localizado ontem assim como o assessor de Comunicação da prefeitura, José Otávio Ereno.
Empréstimo
Malucelli, que prestou depoimento acompanhado do advogado Marcos Augusto Malucelli, seu irmão, também foi perguntado pelo delegado sobre empréstimo de R$ 1 milhão que teria feito ao prefeito Barbosa Neto tendo como garantia promissória assinada pela primeira-dama, Ana Laura Lino, e pelo empresário Wilson Vieira, implicado nas investigações sobre supostos desvios na saúde em Londrina, resultantes da operação Antissepsia, deflagrada em maio do ano passado. Porém, o delegado não revelou o teor das declarações de Malucelli.
O dinheiro, segundo denúncia anônima feita ao MP e confirmada em depoimento pelo vereador Joel Garcia (PP), a quem Malucelli teria confidenciado sobre o empréstimo, teria sido utilizado para pagar dois deputados do Rio de Janeiro que apresentaram emendas ao orçamento da União para beneficiar Londrina. Wilson Vieira confirmou em depoimento ao Ministério Público ter entregue aproximadamente R$ 1 milhão para um assessor dos deputados. Esta investigação tramita no Ministério Público Federal.


