O juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, absolveu da acusação de concussão por 33 vezes o ex-secretário municipal de Gestão Pública Jacks Aparecido Dias, que ocupou o cargo entre 2005 e 2007, no segundo mandato de Nedson Micheleti (PT). Para o juiz, não houve "elementos probatórios bastantes de que o acusado exigiu vantagem indevida em decorrência da função por ele exercida".
Conforme denúncia oferecida pelo Ministério Público (MP), em 2010, Dias exigiu e recebeu parcelas mensais de propina que somaram R$ 194,5 mil para não rescindir o contrato com a empresa Sertcom/Setrata, vencedora de licitação para prestar serviços gerais na Autarquia Municipal de Saúde. Por meio de busca e apreensão, constatou-se, na contabilidade, retiradas mensais (anotadas como "retirada autarquia").
Durante o inquérito, uma das sócias, Marli Aparecida Batilani, admitiu, de fato, que Dias havia pedido contribuição financeira para a empresa e que "entendeu o pedido do acusado como uma exigência ou imposição para evitar a rescisão do contrato de sua empresa com a prefeitura; acrescentou ter realmente entendido isso à época do fato", conforme relatou Nanuncio.
Porém, ao ser ouvida como testemunha no processo, voltou atrás. Disse que a empresa fez alguns repasses – em cinco ou seis ocasiões, no valor de aproximadamente R$ 5 mil cada um – para Dias, mas, tratava-se de contribuição partidária e o pagamento não seria condição para a manutenção do contrato de prestação de serviços entre a Setrata e a prefeitura. A outra sócia, Mônica Dais Amstalden, também afirmou a Nanuncio que era contribuição "ao Partido dos Trabalhadores a pedido do acusado".
Diante dessas negativas de terem sido extorquidas pelas supostas vítimas, o juiz considerou que "a absolvição do acusado é medida que se impõe, em observância do princípio in dubio pro reo". O MP pode recorrer ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná.

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