Said Ferreira disse ao juiz que Paolicchi pediu ‘‘pessoalmente’’ para que ele retirasse a denúncia de desvios da administração Gianoto. Said denunciou o esquema de desvio ao MP em meados de abril de 2000. Junto com o ex-vereador e ex-ouvidor municipal Euclides Zago Alexandre da Silva, Said entregou documentos mostrando indícios e desvios e enriquecimento ilícito de Gianoto. ‘‘Paolicchi pediu para que eu e Zago retirássemos as denúncias, caso contrário seríamos retaliados’’, afirmou Said ao juiz Anderson Furlan Freire da Silva. A retaliação, segundo Said, começou com notícias plantadas na imprensa.
Uma delas foi de que Said teria que devolver cerca de R$ 800 mil ao Ministério da Sa© úde, por causa do projeto do Hospital Regional. Ele mostrou ao juiz que não tinha pendência alguma. ‘‘Administrativamente não existem irregularidades pelas duas vezes que passei pela prefeitura, mas para minha vergonha, no financeiro existem desvios do qual não conhecia’’, disse.
Said comparou também que na primeira administração (83/88), fez muitas obras com recursos próprios, mas na segunda teve dificuldades. O que levou o ex-prefeito a suspeitar dos desvios. Junto com a Polícia Federal ele investigou a propriedade de dois aviões que seriam de Paolicchi, mas eles não estavam em nome do ex-secretário. ‘‘Fizemos também uma auditoria, que não deu resultados porque todos dentro da secretaria eram indicados por Paolicchi’’, alegou.
O filho de Said, Alexandre Ferreira, que também foi convocado para depor, não apareceu. Said disse ao juiz que o filho está à disposição, e alegou que foi citado como beneficiado por um depósito de R$ 40 mil por Paolicchi por causa de um empréstimo pessoal, que ‘‘ele vai devolver’.
Paolicchi está preso em Maringá desde o dia 8 de dezembro. Junto com outros três servidores, ele responde a ação por peculato, sonegação, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. O golpe da quadrilha de Maringá seria de R$ 100 milhões. (M.Z.)

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