O ex-secretário de segurança Cândido Martins de Oliveira pediu ao presidente do Câmara do Deputados, Michel Temer (PFL-SP), ontem, em Brasília, a suspeição do deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT-PR) e dos demais parlamentares da CPI do Narcotráfico que estavam no Paraná até ontem. O ex-secretário baseou o pedido num suposto crime de falsidade ideológica, que teria sido cometido na sua convocação oficial para prestar depoimento. Também se fundamenta no artigo 222 do Código Penal, segundo o qual as pessoas devem ser ouvidas na cidade onde moram.
O ex-secretário justificou: ‘‘Posso ser ouvido em Curitiba, por carta precatória.’’ Cândido Martins afirma ter recebido uma intimação no dia 3 de maio, para que depusesse ‘‘como testemunha’’ e que, por intermédio de amigos, soube que no dia 27 de abril Padre Roque apresentou um requerimento que pedia sua convocação na qualidade de ‘‘investigado’’.
‘‘Está havendo uma manipulação para que as pessoas sejam humilhadas e presas. Eu sabia que havia uma arapuca para me humilharem perante a imprensa’’, esbravejou Oliveira. ‘‘Recebi informações certas de que eu seria preso no local (ontem, em Ponta Grossa)’’, disse, sem revelar os nomes de seus informantes.
Padre Roque rebateu: ‘‘Ele não teve bolas para pedir diretamente minha suspeição e está mentindo mais uma vez.’’ O deputado afirmou ter lido o documento redigido por Cândido Martins e assegurou que, em nenhum momento, há menção direta ao pedido. ‘‘Ele não merece o respeito da CPI e só soube justificar suas ausências com essa asneira de dizer que eu sou candidato a prefeito e estaria manipulando as atenções sobre mim’’, criticou.
A Folha teve acesso ao documento, elaborado pelo advogado do ex-secretário, René Dotti, e realmente não há referência direta a Padre Roque. O texto do 14º tópico diz que Cândido Martins ‘‘vem, respeitosamente, arguir a suspeição dos membros da CPI do Narcotráfico’’.(Colaborou R.B.N.)

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