Ex-secretário diz que seu caso vai virar erro de imprensa
AE O senhor acha que o seu caso será enquadrado como erro da imprensa?
EJ Sem sombra de dúvida. Porque qualquer pessoa que analise o que foi publicado e os fatos, não vai entender como aquelas notícias vieram à tona daquela maneira. Estou trabalhando junto com meu filho, Leonardo Affonso Pereira, que é historiador, em um livro acadêmico a respeito disso. Estou pensando em reunir todo esse material e distribuir nas faculdades de Direito e de Jornalismo.
AE Uma das notícias, apresentada como sinal de seu enriquecimento repentino, foi a compra de um apartamento de luxo no Rio. A compra foi um erro?
EJ Não. Meu arrependimento é simplesmente pelo fato de que isso serviu de pretexto para me colocar em evidência de uma forma negativa. Mas não houve nenhum enriquecimento. Mostrei para a comissão do Senado, para os procuradores e para imprensa como meu patrimônio foi construído em 30 anos de serviço público.
AE Uma versão comum dentro do próprio governo é a de que o senhor definia tudo nos fundos de pensão.
EJ Isso é fantasia. Diga uma pessoa que eu indiquei! No processo, o Jair Bilachi (ex-Previ) diz: Eu fui escolhido pelo Ximenes (Paulo César, ex-presidente do Banco do Brasil) e aí ele mandou eu ir falar com Eduardo Jorge porque era a pessoa encarregada de apreciar o currículo. Foi aí que eu fui apresentado a ele. Tem mais: diga um pedido que eu fiz a qualquer fundo de pensão para fazer ou para deixar de fazer um negócio.
AE Foi divulgada uma gravação do diretor Sérgio Nunes (Sasse) que revela a sua influência no fundo.
EJ Eu não conhecia o presidente da Sasse, quando foi indicado. Eu nem sabia que ele, o Pedro de Freitas, existia. Na gravação, Sérgio Nunes não diz que eu fiz algo em relação à Ferronorte. Ele diz que as pessoas achavam que, depois da era Collor, eu fiquei encarregado dos fundos de pensão. Mas achavam. O Sérgio Nunes é do PT. Ele é diretor eleito pelo PT desde 1990. Ele passou a era Collor na Sasse.
AE O senhor usou o seu acesso ao governo para fazer lobby?
EJ No processo do MP, o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Antônio Anastasia, diz que eu não fiz lobby nenhum. No caso específico da Montreal, eu nem conheço as pessoas da empresa. Não foi encontrado um tostão da Montreal em conta minha. Nunca recebi um tostão da Montreal. Por que eu fiz lobby? Quando um militante do PT procura o senador José Eduardo Dutra e defende uma posição política, esse cara é lobista, tem grana, está fazendo safadeza? Não.
AE O senhor voltaria a depor no Senado?
EJ Irei com o maior prazer. Para mim será muito bom ter a possibilidade de exibir esses dossiês do Ministério Público, para mostrar aos senadores que os procuradores mentiram ao Senado e mentiram à opinião pública. Eu fico muito contente se for convocado.
AE Os próprios procuradores admitem que ainda não foi encontrada nenhuma prova contra o senhor...
EJ É muito mais grave do que isso. Nos processos no Ministério Público, a questão não é que não foi encontrada nenhuma prova contra mim. É preciso esclarecer que encontraram provas a meu favor. Todos os depoimentos contribuem nesse sentido.





