Curitiba - O ex-secretário de Estado de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, reaparece e diz que foi um dos mais prejudicados pelas investigações feitas em 1999 e 2000 pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico. Ele foi acusado de ter relações com criminosos que atuavam no Paraná. Oliveira teve os sigilos telefônico e bancário dele e de toda família quebrados para que as denúncias contra ele fossem comprovadas. Há pouco mais de dois anos, elas foram arquivadas a pedido da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), coordenada à época pelo promotor Ramatis Fávero.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico atuou entre os anos de 1999 e 2000 em vários estados brasileiros (incluindo o Paraná). Na ocasião, nomes de delegados e investigadores da Polícia Civil apareceram como sendo os principais articuladores do crime organizado no Estado. O trabalho da CPI foi posto em xeque após a prisão do tenente-coronel da Polícia Militar Valdir Copetti Neves.
''Naquela época eu tentei resgatar minha imagem política, mostrando que tudo não havia passado de manobra política para me atingir. Tive uma decepção muito grande quando percebi que ninguém queria saber se eu tinha sido inocentado. Meus amigos e meus inimigos se voltaram contra mim e perdi tudo o que eu tinha conquistado com muita dificuldade'', desabafou o ex-secretário, em entrevista exclusiva à Folha. Oliveira tinha o nome cogitado para a disputa eleitoral em Curitiba. Era um dos mais cotados antes da passagem da CPI. Ele foi presidente do Tribunal de Contas (TC) e passou duas vezes pelas secretarias de Estado de Educação e da Segurança Pública.
''Liquidaram minha vida política, sem nunca provarem nada contra mim. A imagem de um homem pode ser destruída em alguns segundos de injúria e difamação'', reclamou ele. Oliveira deixou o mundo político e resolveu se dedicar ao trabalho agrícola. Atualmente, ele passa a semana trabalhando em Clevelândia (43 quilômetros a leste de Pato Branco) e os finais de semana com a família, em Curitiba. ''Meu pai morreu de desgosto por causa das denúncias da CPI. Minha família acabou ficando longe de mim. Ninguém pode imaginar a cruz que eu estou carregando. É algo dramático.''
Oliveira não quis acusar uma ou outra pessoa pelas denúncias feitas contra ele. Apenas pontuou que as denúncias foram plantadas por pessoas que eram inimigas políticas do grupo de Jaime Lerner (PSB), então governador do Paraná. ''Tudo acabou sendo fruto de sensacionalismo dos políticos da CPI e da imprensa. Nunca fui intimado pelo Ministério Público (MP) na época dos fatos. Pedi 15 vezes para que me ouvissem. Não sei qual era o interesse deles na ocasião. Sou honesto e me sinto injustiçado.''

mockup