A única informação sobre o depoimento do ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, prestado ontem à Justiça Federal, foi que ele ‘‘se emocionou e chorou bastante’’ no final de duas horas de interrogatório, segundo seus advogados. Ele é acusado do desvio de R$ 3,1 milhões dos cofres da prefeitura, além de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, formação de quadrilha e peculato.
Depois do depoimento, Paolicchi foi transferido para um quarto do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Militar, onde vai permanecer preso. Ele estava detido desde sexta-feira no quartel central dos bombeiros, em um quarto transformado em cela especial com ar condicionado, televisão e frigobar.
Na nova cela Paolicchi não terá nenhuma ‘‘mordomia’’. O quarto de 20 metros quadrados tem apenas uma cama com dois colchões, uma cadeira e um cofre. O banheiro é coletivo e fica do lado de fora do quarto.
Logo após o depoimento ontem, um dos advogados dele, Wagner Brusculo Pacheco, protocolou um pedido de revogação da prisão do ex-secretário. O pedido, segundo o diretor da Vara Criminal Federal, João Cláudio Moraes Caiçara da Silva, deve ser analisado em 24 horas.
O depoimento de Paolicchi pegou todos de surpresa. Sem nenhuma divulgação, o ex-secretário foi levado até o prédio da Justiça Federal por volta das 12h45. O juiz Anderson Furlan Freire da Silva iniciou o depoimento às 13 horas. ‘‘A pedido dos advogados e do réu, a imprensa não poderá acompanhar os trabalhos’’, avisou Silva antes de Paolicchi entrar na sala.
Pelo menos 10 policiais do Tático Móvel e outros seis federais fizeram a segurança do prédio. Uma barreira foi montada para impedir que curiosos ou a imprensa se aproximassem da parede de vidro da sala de audiências, que dá para a calçada. Na saída, populares foram até o portão da garagem do prédio, e novamente gritavam ‘‘ladrão, ladrão’’ para Paolicchi, a exemplo do que ocorreu na sexta-feira.
O comando da PM e os advogados alegam que no quartel da PM existe mais segurança. ‘‘O local onde ele está é protegido por pelo menos 16 policiais preparados’’, disse o comandante da PM, coronel Gilberto Kummer. Ontem ele disse que ainda não tinha definido os dias e horários de visita, que será limitada a parentes e assessores. Paolicchi terá também que mandar comprar alimentação, já que não existe refeitório no quartel.

mockup