Ex-secretário defende a operação
O ex-secretário de Fazenda Londrina, Luiz César Guedes, confirmou ontem que partiu da própria secretaria a necessidade do município contrair o empréstimo no valor de R$ 12 milhões, em maio de 1998, para atender despesas gerais do município incluindo folha de pagamento. Ainda segundo ele, a opção em caucionar ações da Sercomtel ocorreu porque na época havia dificuldade em repetir operações com as AROs, ou Antecipação de Receita Orçamentária, comuns até 97.
Ele garantiu, no entanto, que quem fez a operação do negócio, junto à corretora, foi a própria Sercomtel ao contrário do que disse o presidente da empresa, Rubens Pavan, para quem a responsabilidade da operação é do município.
Guedes informou ainda que a decisão de desistir das ações, deixando de pagar o empréstimo e transferindo as ações para a corretora, não passou pela Secretaria de Fazenda. Neste caso a decisão coube ao prefeito, provavelmente. Mas eu não dei parecer nem opinião sobre isso.
Sobre o fato da prefeitura, poucos dias antes, já ter recebido R$ 186 milhões em outra operação a venda de 45% de ações da Sercomtel para a Copel o ex-secretário defendeu que naquele momento não poderia contar com os novos recursos. O motivo é que havia uma determinação do prefeito de que o dinheiro da transação Copel-Sercomtel só fosse usado no ano posterior, após as eleições o que não ocorreu.
Guedes disse também que a forma de pagamento R$ 10 milhões na conta do Cogefi e R$ 2 milhões na conta geral da prefeitura, ambas na agência 39 do Banestado foi solicitação do próprio banco. Ele acredita que foram duas as razões para esse fato: a conta do Cogefi era remunerada, o que favorecia o município; e contas de aplicação aumentariam a capacidade de empréstimo do próprio Banestado.
Ele defendeu ainda que, apesar de haver uma lei disciplinando a aplicação de recursos obtidos com venda de ações, na época a operação foi considerada empréstimo.
Guedes admitiu também que o município vem acumulando déficits sucessivos, ao longo dos últimos 12 anos, e por isso os empréstimos são necessários. O problema é que você não pára de fazer déficit e tem, como consequência, compromissos crescentes. Pela minha experiência, isso pode chegar num ponto de comprometer a administração, alertou. (L.H.)





