Ex-secretário de Maringá faz aniversário na cadeia
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de dezembro de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
O ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, preso desde anteontem numa cela especial no 5º Grupamento do Corpo de Bombeiros, completa 44 anos hoje. Ele foi detido na última quinta-feira em Florianópolis (SC) e transferido para Maringá, depois de 51 dias de fuga da prisão preventiva decretada pela Justiça Federal. Ele é acusado em ação criminal de formação de quadrilha, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e peculato. Em ação civil pública, Paolicchi responde por improbidade administrativa. De acordo com o Ministério Público, ele desviou R$ 3,1 milhões dos cofres públicos.
Até o início da tarde de ontem, Paolicchi não havia comentado com o pessoal da guarda, feita por policiais militares, sobre o aniversário. Nós vamos atender os pedidos que ele fizer, acionando os seus empregados, mas ele ainda não pediu nada, contou o tenente-coronel Almir Porcides Júnior, comandante do 5º Grupamento dos Bombeiros. Porcides Júnior assumiu o cargo na última quinta-feira e ontem comentava sobre a responsabilidade de manter um preso que exige segurança máxima.
Segundo o comandante, anteontem à noite, em seu primeiro dia de prisão, Paolicchi jantou macarrão, carne com molho, ovos, salada verde e água. A mesma comida servida ao pessoal de serviço e ele não parece enjoado, afirmou. A fama de Paolicchi é ser exigente nas refeições, cobrando inclusive a garantia de procedência dos alimentos.
Porcides Júnior confirmou também que o ex-secretário recebeu várias visitas ontem, de parentes, assessores e de seus advogados, no final da manhã. A cela onde ele está é um quarto que serve de alojamento para o pessoal que está de serviço, no segundo andar do prédio. Além de ar condicionado, televisão e geladeira, o local conta com um ramal telefônico que, segundo o comandante, só recebe ligações. O telefone do quartel é (44) 224-7669.
A presença de Paolicchi mudou a rotina do quartel. Ontem bombeiros impediam a entrada de qualquer pessoa, principalmente jornalistas. Uma fita isolava a entrada da garagem, de onde saem os caminhões de combate a incêndio. Apenas as vagas reservadas à ambulância do Siate estava liberada. Um dos bombeiros que fazia a guarda chegou a exigir que os jornalistas ficassem na calçada do outro lado da rua. São ordens, justificou.
A janela da cela de Paolicchi pode ser avistada na rua lateral do quartel, onde um batalhão de fotógrafos se posicionou, em vão. O ex-secretário não chegou a abrir a janela. Um dos advogados dele, Moisés Zanardi, disse à Folha que no início da tarde estava conversando com Paolicchi. Não posso falar nada de novo porque estamos iniciando a conversa, despistou.
Ele afirmou apenas que Paolicchi estava bastante abatido e seria orientado ainda ontem sobre como será o procedimento perante o juiz federal. O advogado espera que o depoimento seja tomado até quarta-feira. Zanardi explicou ainda que a prioridade é solicitar o relaxamento da prisão e, depois do depoimento, concluir a montagem da defesa. Segundo o advogado, até ontem o ex-secretário não havia feito nenhum pedido especial.


